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Aos pais, professores e demais educadores

Dedico a coluna de hoje a vocês, educadores. Desde já, adianto não ter a pretensão de ensinar-lhes o que quer que seja e tampouco julgar os seus métodos de ensino.

Estou ciente de que provavelmente não tenha a mesma experiência e sensibilidade que lhes foi conferida pela vida. No entanto, acredito carregar uma história interessante para compartilhar e, por isso, peço-lhes alguns poucos minutos de atenção.

Eu estava no segundo ou terceiro ano do ensino médio. A “prova” era de redação.

À época do colégio, sempre fui do tipo que conversava em sala de aula. Na verdade, eu era um péssimo aluno. Uma verdadeira peste. E, cá entre nós, chato. Muito chato.

Naquela manhã em especial, encontrava-me sem paciência e excepcionalmente calado. Salvo engano, a proposta de escrita versava sobre a divergência de alguma doutrina religiosa quanto à utilização de células tronco na medicina. Lembro apenas que, para abafar o barulho indesejado, coloquei os fones de ouvido e comecei a escrever.

Na semana seguinte, sobreveio o resultado. Para fins de contextualização, devo consignar que a professora tinha o interessante costume de, semanalmente, selecionar uma ou duas redações, lê-las e indicá-las à turma. Surpreendentemente, a minha foi a escolhida.

Ao olhar para os lados, percebi a natural indiferença de todos ao redor. Natural porque era só mais um texto; indiferente porque poucos costumavam levar isso a sério – normalmente quem pretendia ingressar em um curso extremamente concorrido.

De toda sorte, pude experimentar um misto de orgulho e vergonha. Objetivamente falando, foi um acontecimento sem grande relevância. Contudo, como lhes contava, eu era um péssimo aluno.

Se tivesse apenas uma mão, ainda assim sobrariam dedos na contagem dos elogios que havia recebido até então por um professor. Mas esse simples gesto, revestido de sinceridade, despertou em mim o interesse em desenvolver uma nova habilidade: a escrita. Sem a qual, importa salientar, jamais teria conseguido cursar Direito e chegado até aqui.

Vejam os senhores que há uma diferença estratosférica entre o elogio e a bajulação. Mais ou menos na esteira do que dizia Dale Carnegie, um é sincero e o outro é falso. Aquele é lembrado, este esquecido.

Mas o mais incrível – e essa é a mensagem que eu gostaria de deixar – é que a combinação entre elogio e honestidade pode ser a luz na vida de um adolescente desacreditado.

Obrigado, Lucia Rizzolo. Tenho absoluta convicção de que tenho muito a aprender, mas teria ainda mais se não tivesse ouvido aquelas palavras.

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