CulturaEmpresa & ConsumoHistórias TopOpiniãoPelotas

Prédios históricos poderiam ser mais bem utilizados. O local onde Kafka trabalhava é hoje um hotel rentável

Gustavo Jaccottet insiste: “Conjunto Histórico de Pelotas como Patrimônio Cultural Brasileiro”. Isto é relevante: sim, mas e daí?"

Decidi fazer uma Parte II do meu artigo anterior, a fim de explicar melhor o ponto de vista que tento trazer ao leitor, agora tendo como foco o “Conjunto Histórico de Pelotas como Patrimônio Cultural Brasileiro”. Isto é relevante: sim, mas e daí?

Num comentário de meu artigo anterior, um leitor colacionou que a posição alçada por Pelotas atrairia um maior número de recursos para o restauro, por exemplo. Não estamos falando apenas do Casarão A ou B, 1 ou 2, senão de toda a cidade, do centro até o porto.

Os mais atentos dar-se-ão por conta que o sistema de iluminação pública é precário. Os fios se estendem por todo o perímetro urbano. Para toda cidade que quer alçar voos mais altos no que diz respeito ao seu passado, pois é só disso que vivemos aqui, salvo empreendimentos no entorno do centro, como o Parque Una, estamos estagnados, como uma nau que aguarda o seu naufrágio.

Escola Mario Quintana
PUBLICIDADE (clique na imagem para visitar)

Decidi, portanto, usar a Europa como um paradigma e aproveito a ocasião para dar uma sugestão, qual seja, o uso de PPPs para que os Prédios Públicos em posse da Prefeitura tenham um destino, preferencialmente privados.

Quantos hotéis, estabelecimentos comerciais, mini-malls, conjunto de restaurantes e até mesmo centros comerciais poderiam funcionar nos casarios de Pelotas? Diversos.

É bastante comum em cidades do velho continente que os prédios históricos sejam utilizados com a finalidade de serem rentáveis. Qual o por quê? Ora, à medida que sua arrecadação aumenta, os investimentos podem ser realizados sem a necessidade de se recorrer aos órgãos estatais, tudo fica mais simples.

A rede de hotéis Accor, com sede na França, por ocasião, criou o selo Mgallery. Qual o sentido disto? Pois bem, prédios históricos são completamente reformados pela multinacional e convertidos em hotéis, mas sempre respeitando a história de cada sítio.

Cia de Seguros em que Franz Kafka trabalhava virou Hotel em mãos privadas
Interior do hotel
Kafka no quadro: cultura preservada pelo capital

Talvez o melhor exemplo seja o prédio onde ficava a Companhia de Seguros em que o escritor tcheco Franz Kafka trabalhava. Hoje é um hotel, com bares, restaurantes e, para a surpresa de todos, o escritório de Franz Kafka restaurado de acordo com a legislação urbanística da República Tcheca. Sempre me questionei se tal empreitada não poderia acontecer por aqui.

Infelizmente o Grande Hotel está nas mãos da UFPel. Por ali ter-se-ia um local sensacional para receber os turistas que viriam até Pelotas para conhecer o outro Patrimônio reconhecido pelo IPHAN, qual seja, a Cultura Artesanal do Doce.

Peço que o leitor raciocine comigo, pois uma coisa leva à outra e assim sucessivamente. Não há como tornar o doce atraente para quem vem de fora se não há atrações e, adianto, as charqueadas não bastam.

Pelotas apresenta riquezas que vão além do seu passado Saladeril, mas me entristece em ver que muitos pensam que ainda vivemos naqueles tempos.

Há, igualmente, que se falar que o Poder Público é negligente com o que diz respeito à manutenção como um todo, pois está em seu poder o IPTU progressivo (algo que sou contrário, mas, enfim, aí está na Constituição), bem como o Instituto Jurídico da Desapropriação.

Sobre o doce, pois bem, fica aqui a ironia: foi tombado o patrimônio artesanal de uma iguaria artesanal, sendo que a Revolução Industrial provou que tal tipo de negócio não é rentável para os grandes centros.

Enquanto isto as verdadeiras doceiras estão esquecidas, confesso que nem sei mais onde encontrá-las, sinto falta de comer uma bomba de chocolate e uma panelinha de coco, coisa rara, eis que são fresquinhas, aquelas “feitas no dia”, e, como acompanhamento, um bom vinho Torrontés de Colheita Tardia, especialmente do norte da Argentina, como La Rioja.

Tags
Ver Mais

Conteúdos Relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close