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A balela do voto nulo

Fique claro! O candidato que levar a maioria dos votos válidos, ainda que em número ínfimo, estará eleito. É a lei!

Renato Sant’Ana

Lamentável! A balela do voto nulo segue nas redes sociais. Será que o distinto público não notou que, no Tocantins, bem mais da metade dos eleitores não votou em ninguém e, mesmo assim, o pleito não foi anulado?

Nas eleições suplementares para o governo de Tocantins, em 24/06/18, votos brancos, nulos e abstenções somaram 60,8%: mais da metade do eleitorado não escolheu ninguém. Houve 23,4% de votos nulos; 2,6%, votos em branco; e 34,8% não compareceram. Ou seja, só 39,2% dos eleitores votaram em um dos candidatos: menos da metade!

Mauro Carlesse recebeu 75,14% do pequeno montante de votos válidos: eleito. E Vicentinho Alves ficou com 24,86%.

⊕ Esclarecendo a confusão do voto nulo

Caiu a ficha?

É falsa a campanha nas redes sociais para o eleitor anular o voto e provocar nova eleição! Parece ser uma aposta na patetice crédula de alguns eleitores.

Fique claro! O candidato que levar a maioria dos votos válidos, ainda que em número ínfimo, estará eleito. É a lei! Para que as eleições sejam anuladas e novas sejam marcadas, é preciso que a Justiça Eleitoral (não o eleitor) anule mais de 50% dos votos. É a correta leitura do art. 224 do Código Eleitoral. É bobagem, pois, dizer que, anulando voto, o eleitorado vai forçar novas eleições.

Agora, convenhamos, não escolher (nem que seja o menos pior), só para, depois, poder dizer “nada tenho a ver com isto que está aí!”, é uma opção de vida cabulosa – muito ego, pouco espírito.

No tocantins, foi uma minoria que optou por influenciar os rumos da política, enquanto a maioria preferiu ser conduzida pela decisão dos outros. O que aí se vislumbra é desinteresse, não responsabilidade. Ou seria a omissão uma forma nobre de participar?

Ora, até quem se disfarça de samambaia compõe o cenário em que os políticos estão de olho, sensíveis que são à reação das massas. E votos nulos (forma de “participação passiva”) aumentam a zona de conforto dos maus políticos. Faz melhor, pois, o eleitor que encara a responsabilidade de (por pouco que possa) interferir na política.

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Um comentário

  1. Olá Renato.
    Não creio que seja ego, mas sim desencanto, falta de forças mesmo. Eu não voto há mais de 15 anos, porque não consigo acreditar nem mesmo no “menos pior”. Não consigo ter expectativas. Cara! É muita desfaçatez dessa turma. Que mudem as leis então. Vamos lutar para isso! Eu entendo a tua posição, mas, infelizmente, não vejo futuro nesse país. É um “salve-se quem puder!”

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