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A função paterna

A presença (ou não) do pai influi tanto na vida emocional quanto no comportamento dos jovens, de modo complementar ao papel da mãe. Se a função materna está associada a afeto, acolhimento, aconchego, a função paterna ajuda na individuação, nos limites, na sociabilização.

Psiquiatras, psicólogos, psicanalistas, há mais de século tem estudado estas questões. A afetividade materna é essencial para a estabilidade emocional desde a infância e na formação da personalidade, enquanto o estímulo paterno é importante na individuação da criança diante da própria mãe, cujo apego instintivo ao bebê resulta numa espécie de simbiose, nos estágios iniciais da relação mãe-filho.
A função paterna seria complementar à da mãe, apoiando a progressiva autonomia do filho, primeiro em casa, depois em direção à sua vida social. Nesse processo de sociabilização, o pai tem outro um papel simbólico importante, na introjeção dos limites às condutas da criança e do adolescente.
Discutem os teóricos se esses papéis são biológicos ou culturalmente aprendidos. Seja como for, muitos estudos mostram a relevância da função do pai no comportamento dos jovens. Entre nós, o psicólogo Jorge Trindade fez pesquisa sobre Delinquência Juvenil, comprovando três fatores associados à conduta anti-social dos adolescentes: uso de drogas, evasão escolar e ausência do pai.
A mais cruel ausência paterna é a negativa até do registro de nascimento. Os cartórios deveriam colher o nome do pai, junto à mãe, mas muitas vezes não o fazem. Uma grave distorção cultural é quando, ao mesmo tempo que o pai não assume, a mãe não indica a paternidade. Psiquiatra Judiciário que sou, ouço com frequência que “se ele registrar e pagar pensão, ele vai querer visitar”, expressão de sentimentos possessivos que impedem a reversão do abandono paterno.
Aos que cumprem seu papel paterno, sejam casados ou não, sejam pais biológicos ou afetivos, saibam que estão cumprindo uma das mais nobres funções em prol da felicidade dos seus filhos. Um Feliz Dia dos Pais !
* Psiquiatra, autor de “Em busca da alma do Brasil”
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Montserrat Martins

Médico psiquiatra.

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