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A história reunirá Temer a Allende?

A tática agora é culpar os grevistas por mortes em hospitais por falta de oxigênio, gaze, fita adesiva, remédios etc., como se isso não fosse comum nos hospitais do país antes da deflagração do movimento

Djalma Cerezini Filho *

Assisti na tarde deste sábado (26) ao vivo, pela TV, três “ministros” ameaçarem empresários e trabalhadores, tipificando suas ações de terroristas, por negarem-se a transportar produtos pelas rodovias brasileiras.

Utilizando-se do mesmo expediente que o ex-presidente chileno Salvador Allende, o governo brasileiro ameaça confiscar bens particulares, neste caso caminhões parados em pátios privados, para que agentes públicos façam a distribuição de bens pelo país.

O governo Temer quer na marra acabar com o movimento grevista.

A tática agora é culpar os grevistas por mortes em hospitais por falta de oxigênio, gaze, fita adesiva, remédios etc., como se isso não fosse comum nos hospitais do país antes da deflagração do movimento.

Na minha visão, o notório desespero do governo tem motivo. Os pedágios pararam de faturar e o combustível da Petrobras deixou de ser vendido. Dessa forma, alguns setores essenciais da máquina governamental pararam, principalmente a fonte da propina sofre um duro golpe.

A greve dos caminhoneiros transcendeu o preço dos combustíveis, ela está ganhando adeptos que nunca sequer dirigiram um caminhão.

O movimento agora é de brasileiros cansados da alta tributação que sofrem diariamente. Nossos impostos só servem para duas coisas: financiar mordomias da classe política e pagar campanhas eleitorais milionárias. Este agora é o verdadeiro motivo da greve.

Podemos aprender algumas lições com isso, a primeira é de cunho estratégico. É inadmissível que o Brasil, nesta altura do campeonato, não conte com uma malha ferroviária decente, capaz de transportar bens para pontos estratégicos e a partir daí para o interior nacional. A segunda já é velha conhecida nossa: estatais, em 100% dos casos, só servem para servir o governo e a corte de bajuladores.

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Djalma Cerezini

Djalma Cerezini Filho é engenheiro mecânico e cuteleiro. Foi servidor público no Paraná por 15 anos, administrador do Instituto de Menores de Ijuí (RS), e atualmente profissional liberal na área de Engenharia Mecânica e Cutelaria.

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2 Comentários

  1. Estou relendo livro que li em 2005, de autoria de Flávio Tavares, Editora Record 2004, “O Dia em que Getúlio MATOU Allende”. Vale a pena para quem gosta de estar a par dos fatos políticos das últimas décadas na América Latina…

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