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‘A providência oficial sempre após o episódio’. Por Hermes Rockenbach

Sempre que um grande caso de repercussão sobrevém na mídia e torna-se a notícia do momento pela sua gravidade, surge o dever do poder público de dar uma resposta à sociedade. Foi assim no caso da Boate Kiss, de Santa Maria, quando então passou-se a se preocupar com a legislação sobre as liberações de alvarás, além, é claro, da busca pelos culpados.

Contudo, vidas se perderam para que o olhar do poder público pudesse ser então mais acurado. Foi assim também com a atriz Carolina Dieckmann, que precisou ter suas fotos “vazadas” na internet para se criar uma legislação tratando dos crimes cibernéticos.

Poderíamos citar exemplos múltiplos, como o caso ainda da atriz Daniela Perez ou mesmo da não menos famosa Suzana Von Richthofen, os quais nos mostram que somente após a ocorrência de um episódio lamentável, de um crime ou coisa do tipo que aconteça, para que se passe a pensar numa solução para aquilo que já vem sendo anunciado há tempos, mas negligenciado por gestores públicos incompetentes e incapazes de diagnosticar o tamanho da responsabilidade que o cargo que ocupam lhes traz.

Conveniência x competência

Talvez isso aconteça pelo fato de que, atualmente, não somos movidos pela competência, mas simplesmente pela conveniência, o que se traduz também na escolha dos responsáveis que estão a frente dos cargos públicos.

Explico. O sistema politico vigente no Brasil é falho, ou seja, não presta. Os políticos são reféns de um sistema de favores, da “boquinha” do cargo público em troca do apoio político.

Um presidente, governador ou prefeito não governa sem o “apoio” dos demais partidos políticos, pois a eles deve favores. Assim, o que temos não é a ocupação de cargos públicos por competência, mas por obrigações assumidas em campanha em troca do apoio.

Desta forma, o loteamento de cargos públicos não se dá pela competência, mas pelos favores e obrigações assumidas anteriormente para se chegar ao Poder. Desta forma, a figura do Cargo de Confiança nada mais é do que o pagamento de uma dívida de campanha.

Perde o povo, perde o governante, mas por outro lado continuam ganhando os coronéis da política (sempre escondidos nas sombras de seus gabinetes).

Os episódios que nos causam perplexidade, mesmo que tenham sido alertados – mesmo que já venham sendo diagnosticados – acabam sendo barrados na incompetência desses empoderados em cargos públicos por favores políticos.

São incompetentes alçados a cargos de extrema responsabilidade e que, na grande maioria das vezes, fracassaram na vida privada, e precisam sobreviver do dinheiro público…

O sistema é assim. Mas não é só culpa dos políticos, visto que eles são apenas uma representação da sociedade que representam. A culpa é justamente nossa. Um povo que acostumou com o jeitinho brasileiro… Ainda, um povo que não reclama, não luta, que aceita calado e que esquece fácil.

Desta forma, só se investiga depois do prejuízo. Ataca-se a causa, mas nunca a consequência. Encerro até que um novo episódio tome as notícias…o que certamente não tardará…

√ Hermes Rockenbach é advogado (OAB.DF 57568)

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