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Aonde NÃO IR (reclamar) em Pelotas?

É preocupante que algumas pessoas não compreendam os danos praticados na internet

A internet e as mídias sociais definitivamente vieram para ficar. Todos se tornaram, de alguma forma, colunistas de um espaço mais ou menos democrático. Nunca a informação foi tão veloz, informar-se tão necessário e opinar tão inclusivo.

A soberania do consumidor, um dos pilares que sustenta o capitalismo, também jamais foi tão temida. Os que não tinham voz, agora possuem acesso aos mais variados fóruns e podem manifestar a sua (in)satisfação com essa ou aquela marca/empresa.

É de se observar com preocupação, no entanto, o fato de algumas pessoas ainda não terem compreendido o potencial e a extensão dos atos praticados em âmbito virtual. O grupo “Aonde NÃO IR em Pelotas”, do Facebook, conta com mais de 56 mil membros e retrata perfeitamente essa realidade.

Note o leitor que, para algumas pessoas (uma minoria, é verdade), qualquer dissabor é motivo de execração. O calor, um dia ruim, um pedido trocado… tudo. Nem mesmo o funcionário que, corretamente, negou que os filhos de uma senhora utilizassem os brinquedos de empreendimento no shopping após o término do expediente foi poupado.

Lembre-se do caso em que uma moça publicou reclamação expondo uma clinica de odontologia e a profissional responsável por seu atendimento, questionando o procedimento utilizado. Um ato impulsivo, com informações pouco técnicas e nada precisas. Tanto é verdade que, na sequência, diversos clientes e colegas saíram em defesa da profissional.

Ainda mais recentemente, por volta de fevereiro do ano corrente, outra pessoa decidiu dar publicidade à sua indignação, dessa vez contra os serviços de um chaveiro. Sustentou, em apertada síntese, a demora, valores elevados e o descaso com o consumidor, com a finalidade última de contraindicar o profissional em questão. Tal como no exemplo anterior, o prestador do serviço cuidou de explicar a situação de forma detalhada, demonstrando a correção de seus atos.

Não se pretende, com isso, desencorajar o consumidor ou, menos ainda, inibir o exercício da cidadania. A questão que se coloca é que, não por acaso, o STJ reconhece, por meio da Súmula 227, a possibilidade da ocorrência de dano moral em favor de pessoa jurídica. Lembremos que as reclamações contribuem para a melhora da prestação do serviço, mas o excesso de linguagem pode ser interpretado como abuso de direito.

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