CulturaOpinião

Deadpool 2 cumpre com o que esperamos do anti-heroi

Em 2016, Deadpool apresentou o mercenário tagarela Wade Wilson/Deadpool (Ryan Reynolds) bastante favorecido pelo fator surpresa e pelo refresco no gênero, além de abusar da metalinguagem e, principalmente, da irreverência. Deadpool 2 estreia sem muitas novidades e potencializando o que deu certo no primeiro filme, mesmo que já não causem o mesmo efeito.

Na trama, Wade Wilson voltou a viver com o amor de sua vida, Vanessa (Morena Baccarin), e tornou-se um herói internacional à caça de diversos criminosos ao redor do mundo. Após uma reviravolta trágica, ele recebe a missão de defender Russell (Julian Dennison), um jovem mutante abusado em uma instituição para “pessoas especiais”. Com isso, Deadpool cruza o caminho de Cable (Josh Brolin), um soldado que veio do futuro.

O competente diretor David Leitch, de John Wick e Atômica, adota um tom mais sombrio do que o original, mas sem nunca perder o charme do personagem. O diretor consegue equilibrar o humor escrachado e deliciosamente inconsequente com as visualmente espetaculares sequências de ação, embaladas por uma trilha sonora que vai desde clássicos românticos dos anos 80, do dubstep ao AC/DC e uma bela versão acústica de “Take on Me” do A-Ha.

O roteiro de Ryan Reynolds, Paul Wernick e Rhett Reese acaba inserindo uma inesperada carga dramática ao filme. A metalinguagem continua presente, com a tradicional quebra da quarta parede, e o protagonista segue disparando provocações implacáveis à cultura pop e a outras franquias do cinema, além da própria indústria cinematográfica.

Entre os alvos das piadas, temos de James Bond a Yentl, transitando, obviamente, por Wolverine. Além do pavoroso Lanterna Verde, a franquia X-Men e as produções da Marvel e da DC, as duas cenas durante os créditos se destacam pela originalidade e pela zoeira com o universo dos super-herois e até com a carreira de Ryan Reynolds.

Entregando-se de corpo e alma ao personagem de sua vida, Ryan Reynolds mais uma vez atua de modo tão natural na pele do mercenário que é difícil perceber onde o ator começa e onde o personagem termina. Entre as novas adições, Josh Brolin está ótimo como o antagonista e a carismática Zazie Beetz capricha como Domino, a mutante que tem como poder a sorte. A dupla empolga e pode estrelar um filme derivado da X-Force.

Deadpool 2 cumpre com o que esperamos do anti-heroi e, apesar de se levar um pouco mais a sério, não perde seu característico humor irreverente.

Tags
Ver Mais

Déborah Schmidt

Administradora de empresas.

Conteúdos Relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verifique Também

Close
Close