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Nós, gaúchos, pelotenses, precisamos resgatar o INCONFORMISMO

Sou paranaense, filho de pai paulista e mãe baiana. Sem nenhuma relação com o RS até o ano de 1997, quando conheci São Borja, a caminho de Santo Tomé, na Argentina.

Porém, minha relação com o Rio Grande começou bem cedo. Meu pai, que tem propriedades rurais até hoje, me levava com ele para a lavoura e também para a lida de gado.

Quando eu tinha uns cinco anos de idade, vi uma caixinha de fósforos com uma figura emblemática de um gaúcho a cavalo, com uma laçada armada. Perguntei a meu pai: O que era gaúcho?

Ele me explicou do modo dele, me explicou sobre o estado do RS, sobre a tradição do gado, enfim. Como bom pai, me repassou a informação que ele dispunha sobre o assunto; com a inocência da idade, disparei: É isso que eu quero ser. Ele riu e carinhosamente passou a mão na minha cabeça.

O que eu não sabia, porém, era que ali começava uma paixão imensa sobre esta cultura, esta terra, este jeito de ser. Fui crescendo, obtendo conhecimento, estudando, trabalhando, brincando, enfim.

Deparei-me com as histórias das guerras e revoluções, suas causas, seus resultados, assistia ao Jornal Nacional, que anunciava para todo o Brasil a pujança, o desenvolvimento humano, os índices educacionais, a indústria, era um outro país dentro do Brasil.

Um povo unido, politizado, que sabia exatamente onde queria chegar.

Hoje o que resta desta pujança, do desenvolvimento humano, da educação, da indústria, da politização?

Tristemente procuro este Rio Grande.

Eu o encontro algumas vezes nas histórias de gente que viveu a época áurea, ou então, quando muito, na boca de algum jovem cuja criação foi semelhante à minha, das antigas, rigorosa e formal.

Não busco o Rio Grande da época dos Farrapos, dos Maragatos e Chimangos, procuro aquele Rio Grande que se rebelava contra a injustiça, procuro aquele povo unido que anseia pelo engrandecimento de sua querência, mesmo que em tempos modernos.

O Rio Grande, Pelotas e o Brasil precisam urgentemente resgatar o sentimento histórico do INCONFORMISMO, precisamos parar de nos submeter aos desmandos de políticos medíocres que prometem o novo, mas que representam a velha e decrepita política.

Necessitamos urgentemente bolear a perna, sentar nos bastos e assumir as rédeas de nosso destino, pelo bem de nossos filhos e netos.

Peço desculpas pelo desabafo de um paranaense apaixonado pelo modo gaúcho de se viver. Até quando teremos que sacrificar o fruto de nosso trabalho em prol de gente que só pensa no próprio bolso?

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Djalma Cerezini

Djalma Cerezini Filho é engenheiro mecânico e cuteleiro. Foi servidor público no Paraná por 15 anos, administrador do Instituto de Menores de Ijuí (RS), e atualmente profissional liberal na área de Engenharia Mecânica e Cutelaria.

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2 Comentários

  1. Na minha juventude, ainda orgulhoso de ser gaúcho, andei me aventurando na poesia e escrevi algo que terminava assim:
    Se um dia, longe do pago,
    Alguém te perguntar: “Quem és”?
    Com o ar dos que se julgam superiores
    Estufa o peito e diz com voz vibrante
    Sou gaúcho, sou índio do Rio Grande,
    E terás o mundo inteiro aos pés!

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