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O picho ainda é a voz das ruas?

Confesso não ter mais paciência para abordar algumas questões. Passei a semana inteira questionando se escreveria sobre isso e conclui que deveria fazê-lo. Mas, como sempre, serei breve.

Embora moralmente questionável, o picho, em um passado razoavelmente distante, impactava por sua ousadia e genuinidade. À época, para determinados grupos da sociedade, a transgressão era a única forma de chamar a atenção e o que se lia em uma parede dificilmente podia ser encontrado em outra.

Mais recentemente, a gestão do então prefeito de São Paulo, João Dória, enfrentou a resistência (de parcela da população) ao repintar paredes pichadas. Foi acusado de promover um projeto “higienizador” e “silenciador”, típico de movimentos fascistas. Um argumento bastante frágil, diga-se de passagem.

Com as devidas proporções, a situação das ruas de Pelotas não é tão diferente da de São Paulo antes da gestão tucana, mesmo porque é tarefa árdua encontrar uma quadra sem prédios pichados.

Pode-se dizer, em defesa, que determinadas minorias não possuem voz contra a opressão que as exclui. Talvez haja aí uma pitada de sinceridade. No entanto, há de se convir que não se faz mais necessário transgredir para ter voz, já que as instituições, pelo menos nesse ponto, parecem (ainda) funcionar.

Voltando ao contexto paulista, talvez o gestor não tenha abordado a questão da forma adequada, embora eu tenha boas razões para crer que, a considerar a rivalidade partidária e ideológica, tal tarefa seria impossível. O fato é que o picho, pouco a pouco, incomoda menos pelo conteúdo do que pela falta de educação.

Penso que, em consenso, podemos evoluir nesse sentido. Resta saber se estaremos dispostos a colaborar. Pessimista que sou, duvido muito.

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