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O preço do bolivarianismo venezuelano

Governo culpa o “neoliberalismo”, mas é nos países capitalistas que o povo busca abrigo, diz Murilo Colomby

A situação da Venezuela é crítica. A inflação está na casa dos 13.000% ao ano. O número, para se ter ideia, é cerca de 1.300 vezes maior do que a brasileira no auge da crise do governo Dilma, em 2010. Falta comida, remédios e produtos básicos de higiene. Em abundância, há apenas estatais e famílias desesperadas.

O governo culpa o “neoliberalismo”, mas, paradoxalmente, é nos países capitalistas que o povo busca abrigo. Culpava, outrora, a baixa do petróleo, embora os números tenham dado conta de refutar o próprio discurso.

Nas prisões, mais de 230 presos políticos. Dentre eles, os dois maiores líderes e candidatos da oposição. A maioria dos eleitores (54%), desacreditados – com razão –, abstiveram-se de votar.  Mas o ditador, ainda assim, precisou apelar.

Durante o pleito, Nicolás Maduro ofereceu transporte e prêmios ao seu eleitorado. Criou, também, os chamados “pontos vermelhos”, onde os seus militantes deveriam fazer a checagem do Cartão da Pátria (semelhante ao bolsa-família) para “registrar” o voto. Fins meramente estatísticos e democráticos, é claro.

E venceu. Que imprevisível! Quem poderia imaginar?

Enquanto isso, aproximadamente 200 pessoas foram mortas pelo regime bolivariano nos últimos cinco anos – metade do estrago causado pela ditadura militar brasileira em mais de duas décadas.  A população perdeu, em média, 11 quilos e a pobreza já atingiu 87% da população. Faltam apenas 13% para a igualdade ser atingida.

“Cuba não é comunista de verdade. A União Soviética pulou uma fase de transição para o comunismo. Maduro deturpou Marx!” – dizem eles.

Por uma questão lógica, algo que não pode acontecer jamais se concretizará. Mas o problema da utopia é exatamente este: ser, por definição, irrefutável aos olhos de um fanático.

A história comprova e a realidade esfrega em nossas faces: sempre que um salvador da pátria diz ter descoberto a fórmula para o socialismo, milhares de famílias são condenadas à miséria.

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