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Do leitor: ‘Pão e circo!’. Por Alex Casanova

Alex Casanova, advogado *

Eis que me surgem dúvidas: até então, em minha humilde concepção, acreditava existirem inúmeras classes e categorias profissionais no Brasil. Pensava, de maneira intrínseca, que havia verdadeira miríade de sindicatos espalhados pela nação como entes representativos de segmentos das mais variadas esferas, a fim de defesa de interesses sociais de seus membros.

Parece que me enganei!

Quanto às tais classes, entendo agora que só parece existir a família dos caminhoneiros a se insurgirem à devassa e orgia praticada contra todos. O que percebo é que o país está um caos e somos reféns de um congresso podre.

É necessário banir esta bandidagem que se traveste de “bom moço”; não é mais possível aguentar tamanha afronta e descarado deboche. O sustento para benesses pessoais é alavancado por acordos perversos que culminam abarrotando filas de hospitais.

É fundamental que outros segmentos perpetuem a discórdia e revolta contra esta situação insuportável, e não somente a família dos caminhoneiros. Felizmente, outros estão se insurgindo, como os mototaxistas pelas reportagens trazidas à tona.

É imprescindível que toda a população indignada com o que está acontecendo saia à rua em brado coletivo de desgosto. Sustentar bando de canalhas não deve ser única opção. Mas o que resta?

Infelizmente, lideranças não se apresentam e estes, a corja, amparados pelo manto protetor de uma lei ineficaz, se solidarizam em negociatas nefastas.

Bernie Madoff, ex-presidente da bolsa americana de valores Nasdaq, gênio e mago das finanças, retratado no filme “O mago das mentiras”, foi o responsável pela maior fraude financeira da história e, por seu esquema Ponzi (uma pirâmide), pegou 150 anos de prisão tendo todos seus bens sendo retidos pelo governo que, inclusive, penhorou até mesmo as roupas íntimas de sua milionária esposa. Nobre senhora, hoje, vende “quentinhas”.

A analogia hilária de tal fato é que, no Brasil, em modesto apartamento em que é encontrada uma quantia “ínfima” de 51 milhões de reais do Sr. Geddel Lima e sua nobre família, parece não ocorrer o mesmo. Prisão domiciliar nele Seu irmão, o deputado federal Lucio Vieira Lima, diz que tudo será oportunamente esclarecido. E a nobre senhora? Com certeza a esposa do governador Sérgio Cabral não vende “quentinhas”. Isto é chacota com o povo!

A este, aprisionado em redoma criada por programas do tipo “Domingão do Faustão”, dentre outros, resta falar da lei e justiça:  A polícia prende e o juiz solta! Que lástima não perceber que tal lei é feita por senhores nobres tais quais os “Geddeis” oportunos. No entanto, não se pode culpar um povo inteiro por tal prática que, por ausência cultural, é escravo da prática da sobrevivência a qualquer preço.

A política do “levar vantagem em tudo” começa nos primeiros anos de vida, em que orientamos nossos filhos a mentir a idade para não pagar a passagem do ônibus.

Meu falecido avô era praticamente analfabeto. Em sua sabedoria popular explicava algo que, a mim na época, era engraçado. Dizia que deveria ser construída uma imensa cadeia para trancafiarem todo o Congresso Nacional. Porém, haveria um problema, segundo ele: não sobraria quem fechasse a cela! Ele tinha razão…

Não é mais possível a tolerância. Quando falam de homicídios dolosos no Brasil, não percebem que as estatísticas mentem: na conta, e a matemática é ciência exata, não são computados os homicídios dolosos das vítimas da corrupção. Estas, números, mortas dolosamente pelas verbas recolhidas aos cofres pessoais de canalhas, que regam luxuosos jantares de maracutaias.

Então é isso… Na frente do Congresso, que é verdadeira cleptocracia, uns poucos em brado de desaprovação. Em Salvador, no carnaval, uns milhares na alegria.

Pão e circo! A copa do mundo vem aí… Ver a coletividade em festa traduz, ao final, que os problemas acabaram.

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Um comentário

  1. Tudo o que o Alex escreveu, eu já disse centenas de vezes. Os políticos ladrões, milionários, vivem zombando do povo. Até generais do Exército, que não se envolviam em politicagem, estão servindo de “bucha de canhão” aos políticos corruptos. Como é que oficiais, de alta patente, podem participar de “mesa” onde estão Eliseu Padilha e Raul Jungmann ameaçando caminhoneiros de expropriação de seus veículos e de prisões caso não aceitem suas propostas. Michel Miguel Temer, Eliseu Padilha e Raul Jungmann dando “ordem unida” aos generais de nosso Glorioso Exército… É o fim…

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