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Pelotenses não gostam de árvores

João Monteiro Veleda de Azambuja

Enquanto os porto-alegrenses procuram ocupar todo e qualquer espaço vazio com árvores e arbustos, os pelotenses, além de não plantar, literalmente estragam as poucas já existentes. Todo ano a história se repete: entre os meses de Maio e Julho presencia-se o que chamam de “poda” de inverno das árvores urbanas.

O termo mais apropriado seria “amputação” ou “mutilação” anual das árvores!

O que fazem nada tem a ver com poda. Poda é uma técnica que consiste em cortar certos ramos de árvores frutíferas, criteriosamente, com os objetivos de garantir produção uniforme e obtenção de frutos de melhor qualidade; é exercida por profissionais capacitados.

Aberração

O que se faz com as árvores ornamentais urbanas é uma verdadeira aberração por ordem dos donos e não-donos, sem conhecimento sobre biologia vegetal nem climatologia e meio ambiente, que contratam qualquer pessoa que possua um serrote.

Vejamos: as árvores de clima subtropical/temperado rebrotam na primavera, crescem e se desenvolvem no verão, aproveitando o máximo de luminosidade, dias longos e calor, atingem o máximo da fotossíntese, absorvendo o gás carbônico atmosférico e o transformando em carboidratos que servirão de reserva, isto é, energia, para que elas possam, depois do inverno, quando perdem sua folhagem e quase não realizam fotossíntese, rebrotar e reiniciar o ciclo de vida, crescendo um pouco a cada ano e se desenvolvendo.

Quando se corta todos, ou quase todos os galhos a cada ano, impede-se a árvore de crescer; condena-se a árvore a ser um eterno “toco”, a cada ano mais retorcido e disforme; a árvore nunca irá expressar sua verdadeira forma, determinada por sua genética.

Além disso, quando se corta os galhos das árvores, retorna à atmosfera o dióxido de carbono (responsável pelo efeito estufa) que, não fosse essa atitude humana equivocada, permaneceria na Terra. Portanto, não há nenhum fundamento que justifique a “amputação” anual das árvores urbanas, a menos que ofereçam risco de queda sobre residências ou automóveis.

Alguém disse, algum dia, que é preciso “podar” as árvores todos os anos para que elas rebrotem na primavera com mais vigor! Nada mais inverídico.

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