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Por que perdi a simpatia pelos tucanos

Deixa dizer uma coisa pra vocês sobre os tucanos. Minha impressão, com base na experiência vivida.

Em 1992, fui contratado por um senador do PSDB, lá em Brasília. Trabalhei com ele durante três anos, primeiros dos 16 anos que passei na capital.

Era legal ele, Dirceu Carneiro.

Por exemplo, se opôs radicalmente contra a aliança do PSDB com o PFL de ACM. Considerava que os tucanos não precisavam do PFL, ou pelo menos que “não deveriam precisar”.

Fico relembrando aquela visão dele. O Brasil, cheio de esperanças, vivia o começo da redemocratização.

De repente, o que parecia correto a fazer (não se aliar ao PFL) foi enterrado por FHC em nome de uma palavra chamada “Governabilidade”.

Com aquele charme intelectual, FHC convenceu o mundo de que era impossível governar sem se juntar aos bandidos. Ele sempre se recorreu do humor e do comentário auto-depreciativo, com o objetivo de retirar a gravidade das coisas ao transformá-las em folclore.

Pois mais ou menos vinte anos depois, hoje, as gracinhas de FHC perderam a graça. Seu humor malicioso começou a repugnar a gente como um engano caro.

O Honoris Causa continua muito esperto.

Num certo momento da crise que derrubou Dilma, numa autocrítica sem nome aos bois, ele declarou que “o presidencialismo de coalizão havia fracassado”. A frase tem seu efeito tipicamente tucano.

Que me desculpe o ex-presidente, porém. Quem fracassou não foi o presidencialismo, mas ele, FHC, quando se juntou ao PFL.

Porque, se tivesse engrossado com a corja em 1995, pelo exemplo, “talvez” as coisas fossem diferentes hoje. Temos de objetar um “talvez!”, sempre, porque estamos no Brasil, certo?

Pois, mesmo com a autocrítica “Fernandiana”, o PSDB repete em 2018 o erro de FHC, aliando-se ao que há de mais podre na política. Podre como, por exemplo, o PTB, PFL de ontem.

Dos partidos todos que estão aí, apenas um, o Novo, quer fazer como FHC deveria ter feito e não fez, por isso, de cara, simpatizo com eles.

O Novo condena o oportunismo de alianças com interesse em tempo de tevê, ao contrário de Alckmin (o entregador de bolo de açaí que ninguém pediu) e de outros tucanos, como o pelotense Eduardo Leite em nível estadual.

O Novo crê que não se deve, em nome da “governabilidade”, ceder espaços de poder como moeda de troca. Estão certos. Deu, né?!

O modelo de coalizão que fracassou é o que alinha partidos por cotas de poder e não por uma agenda que priorize o País acima dos interesses mesquinhos.

Eis, porém, que o próprio PSDB já não ouve nem o FHC arrependido.

Pois, por incrível, os tucanos formaram agora o Centrão, aliando-se, por tempo de tevê, ao que há de mais fisiológico na política. Pode-se imaginar o day-after se vencerem as eleições.

Não sei se vocês conhecem o PTB. É difícil, pois são seres das sombras. São os maiores aliados dos tucanos em Brasília e em Pelotas.

Para ter ideia, há alguns meses um construtor me contou que um integrante do PTB com cargo no Sanep (gestão de Paula Mascarenhas) cobrou dele propina, em troca de facilidades no andamento de obras.

Relatei o fato a um tucano amigo, do governo local, esperando que fossem agir. Não fizeram nada. O autor da cobrança de propina, me dizem, estaria morando em Porto Alegre, trabalhando na campanha de Eduardo Leite.

Aí eu te pergunto: dá para acreditar?

PS: O caso do pagamento da propina está sendo investigado pelo Ministério Público e pela polícia civil, a pedido d prefeita Paula Mascarenhas. Ela fez o pedido depois de passados os quatro meses em que dei conhecimento ao caso ao amigo, assessor direto da prefeita. Ela só pediu investigação depois de 120 e depois que publiquei no site um registro do fato narrado pelo construtor, sem citá-lo, mas informando do ocorrido – por alerta.

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