‘Jamais se experimentou o ideário liberal em plenitude no Brasil’

Em editorial, o Estadão defende o estado liberal pleno para o Brasil. É um caminho novo, e desafiador, até pela inércia cultural do brasileiro em relação ao modo de vida.

Em termos de Sistema, estamos mais para França do que para Estados Unidos. Brasileiro está acostumado ao Grande Pai Estado, em nome da “fraternidade”. Não sabemos viver como os americanos vivem.

Americano vive cada dia sabendo que não pode contar com a rede de proteção estatal, pois ela é residual. A pessoa tem que se virar antes por ela mesma, ao menos até que se esgotem suas possibilidades.

Americano vive no ritmo “bora, fazer”, e acredita que, “fazendo”, aumentam as oportunidades. Brasileiro vive na base do “amanhã, quem sabe, a gente faz.”

É óbvio que uma mudança de Sistema não se faria de repente. Se de uma hora para a outra o brasileiro se visse entregue à própria sorte, o país entraria em colapso, com a explosão da violência.

Se o ideário liberal se impuser no Brasil, será como foi a abertura política pós ditadura militar, de forma lenta e gradual, até que todos estejamos acostumados a viver sem Pai. Nem Mãe.

Abaixo, trechos do editorial do Estadão:

O país chegou a tal ponto de degradação política e moral que já será um grande avanço se os eleitos no pleito deste ano forem pelo menos honestos, diz o Estadão em editorial. Mas não é o bastante.

“Para que a Nação consiga transformar finalmente seu enorme potencial em riqueza sólida, mudando o patamar de nosso até agora medíocre desenvolvimento, é preciso ter claro como se chegou ao lastimável estado de coisas atual. E não é necessário muito esforço para constatar que grande parte dos problemas que nos atormentam deriva do fato incontestável de que jamais se experimentou no País o ideário liberal em sua plenitude.

Esse ideário é tratado, historicamente, como anátema pela maior parte da classe política, receosa de se vincular a uma concepção que tanto valoriza a iniciativa privada e a responsabilidade do indivíduo, em evidente contraste com o conforto inconsequente pelo estatismo.

Entre as duas concepções, é evidente que a segunda tem muito mais apelo eleitoral imediato, pois oferece ao eleitor a ilusão de que o Estado tudo proverá, criando com o cidadão uma relação de dependência – e não somente no aspecto econômico, mas também no político e no social, pois dessa relação muitos brasileiros esperam obter direitos e benefícios os mais diversos. (…)

Há, portanto, um enorme desafio à frente, que vai muito além da superação da crise legada pela trágica aventura lulopetista.

É preciso empreender uma mudança cultural no país, fazendo com que os valores liberais – sobretudo a aposta na capacidade criativa e inovadora dos cidadãos livres numa ordem democrática – deixem de ser confundidos com exploração e ganância.

O liberalismo busca o progresso sem brigar com a realidade histórica e sem ignorar as limitações dos sistemas econômicos, políticos e sociais. E isso é o exato oposto do populismo estatólatra, cuja força eleitoral reside justamente nas utopias simplificadoras que alimenta.

Deve-se portanto aproveitar a visibilidade proporcionada pela campanha eleitoral para convencer os eleitores de que o Brasil só será plenamente desenvolvido se abandonarmos o modelo estatista e adotarmos como premissas o livre mercado e a liberdade do indivíduo – numa democracia com instituições sólidas e com um Estado regulador, e não produtor.

Não há outra maneira de alcançar o avanço técnico e humano. A história está repleta de exemplos dessa revolução, que pode perfeitamente ser reproduzida aqui – desde que, claro, haja líderes políticos que consigam enxergar além de seus interesses eleitorais imediatos.”

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Author: Da Redação

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