O descompasso e a angústia que nos assolam

Enquanto no Supremo, com a restrição do foro privilegiado, o Brasil melhora devagar, em outros lugares permanece vertiginosamente parado. Em São Paulo, um edifício pertencente à União e administrado pela prefeitura, abandonado por ambas, ocupado por habitantes miseráveis, explorado por um “movimento social” parasitário, desmoronou, deixando centenas de desabrigados e sabem-se lá quantos mortos.

A tragédia é um retrato de nossa indigência. Os miseráveis, resultado de uma realidade social cruel, não têm educação que lhes dê emprego, nem emprego que lhes dê moradia. Não há política habitacional nem planejamento urbano. As amarras legais desencorajam os administradores públicos a agir. Movimentos pseudossociais se aproveitam das lamentáveis condições dos sem teto.

A União, dona de centenas de milhares de imóveis, não consegue vendê-los nem quando tenta. A prefeitura é incapaz de impedir a ocupação de um imóvel nem de remover os moradores quando há risco. O Judiciário é lento e ineficiente. As autoridades põem a culpa umas nas outras — e nas vítimas.

O Brasil avança no ritmo de Brasília, a urgência é a do Largo do Paissandu. O descompasso entre um e outra é a fonte de nossa angústia. (Trecho da coluna de Rangel, publicada em O Globo).

Share:

Author: Da Redação

Obrigado por participar.