A noção do PT de ‘bem-estar social’ foi um equívoco

Conversando com um amigo sobre a velha oposição filosófica “Ser X Ter”, Oriente-Ocidente, concordamos que o PT não foi competente no negócio de ser “esquerda”.

Hoje vemos que aquela visão do Lula de que “todo brasileiro tinha de ter direito de comprar seu carrinho” era ultrapassada. Não compreendeu a dinâmica tecnológica e seus efeitos na sociedade.

O PT gerenciou o Brasil com a perspectiva de acesso ao consumo dos Anos 50 nos Estados Unidos, quando, além dos eletrodomésticos de linha branca, o carro próprio era um sinal de status e bem-estar.

Deu certo por um tempo. Aumentou muito o consumo de eletrodomésticos e veículos particulares, muitos brasileiros emergiram ao maravilhoso mundo do consumo. Contudo, se analisarmos pela ótica do transporte, veremos que foi um equívoco estratégico.

Finlândia

Por exemplo, quando vemos o modelo de mobilidade urbana dos escandinavos (Suécia, Dinamarca, Finlândia etc.), onde vige o estado do bem-estar social com serviços públicos de alto nível, a gente percebe a rudeza da mentalidade oficial brasileira.

Naqueles países, os governos, em vez de incentivar o consumo de carros, investiram no melhor transporte público que pudessem oferecer com os impostos, que lá são altos. As pessoas viajam em metrôs, até mesmo em bondes.

Para que comprar carro se é perfeitamente possível deslocar-se em metrôs e bondes, com maior tempo livre para si mesmo? Para que ter um veículo particular depois do Uber?

São Paulo

Mas o que ocorreu no Brasil?

Aqui, o acesso ao consumo favorecido pelo PT entupiu as ruas de veículos. Para complicar, a gasolina está cada vez mais cara. Além disso, o que faremos com essas montanhas de ferro em 10 anos?

Enquanto os governos petistas incentivavam o consumo desenfreado de carros, relegavam o transporte público.

Mais inteligente teria sido investir na ampliação e fortalecimento de uma malha de transporte “para todos”, privilegiando o “ser” em vez do “ter”.

Termino com uma pergunta simples: Por que os bondes foram dizimados no Brasil? Sim, os bondes, como os que a gente vê aproveitados maravilhosamente pelos escandinavos como uma solução elementar, mas eficiente, barata e estimulante aos sentidos.

Share:

Author: Rubens Spanier Amador

Deixe uma resposta