Eduardo Leite deu entrevista ao jornal Metro “cogitando” privatizar o Banrisul. É inédito ouvir o verbo “privatizar” conjugado pelo ex-prefeito.
Quando dirigia a prefeitura, e mais uma vez o boato sobre a privatização do Sanep ganhou força, o tucano logo tratou de refutá-lo, como se fosse proibido. O Sanep continuou, até hoje, nas mãos dos partidos políticos que o apoiaram e continuaram a apoiar Paula, primeiro PP, agora PTB.
A Rodoviária, igualmente, permaneceu pública, além de cabide de emprego para partidários, como no Sanep. Pelotas, diga-se, é o único município gaúcho que não privatiza nem terceiriza por concessão seu terminal rodoviário, apesar da desoladora prestação de serviços.
De repente, Leite começou a conjugar o “temível verbo”. Note, porém, que ele fala em privatização no âmbito das hipóteses. A gente fica sem saber se é uma estratégia eleitoral, para acenar à “direita”, ou se é uma convicção sua sobre a gestão do Estado.
O problema da cogitação é não superar a si mesma. Como as almas das crianças pagãs, não batizadas, a cogitação vaga no limbo.
Tucanos fizeram fama por viver em cima do muro, pouso dos políticos que não perdem de vista o céu enquanto escalam as alturas e dos intelectuais sensíveis demais para admitir enganos.
Seria louvável se Eduardo dissesse claramente se é a favor ou contra – conceitualmente e desde já – as privatizações. Para que a sociedade soubesse exatamente de suas intenções. Porque não se trata dele, trata-se de nós.
