Os funcionários do Poder Legislativo de Pelotas foram agraciados com o reajuste salarial de 9,6%. Eu pergunto: é justo? Acredito que não. A segunda questão é: é oportuno? Com toda certeza sim.
O funcionalismo público ligado ao executivo deve perceber um reajuste simbólico. Algo lógico. A folha de pagamento da Prefeitura, a maior empregadora do município, é gigantesca.
Na Câmara de Vereadores, a história é bem diferente. Há mais espaço para cargos de confiança do que para concursados, mas estes existem e gozam de uma situação privilegiada se comparada aos funcionários do Executivo.
O incremento de 9,6% aos seus vencimentos é o reflexo da gestão irresponsável do Legislativo, que não cuida da coisa pública da forma adequada. É fácil negociar qualquer forma de tratamento diferenciado aos seus funcionários quando a iniciativa decorre da autonomia orçamentária, uma das teratologias da separação de poderes posta em voga pela Constituição Federal de 1988.
Galinha dos ovos de ouro
Em meio a aplausos, a cidade permanece um caos. Por mais que eu critique a gestão da Prefeita, o Legislativo trata o assunto das PPPs como a sua galinha dos ovos de ouro.
O número de emendas protelatórias é tamanha que o Presidente da Casa teve de deixar o tema para ser tratado apenas no mês de junho. Afianço: quanto mais tempo esperarmos pelas PPPs, maior será o nosso estado de calamidade.
A execução de serviços públicos pelo Executivo, seja diretamente, seja indiretamente, como por exemplo pelo SANEP, é ineficiente.
Como a grande maioria dos que leem este texto não têm a felicidade de contar com um reajuste salarial tão gordo, pois ou são empreendedores ou empregados da iniciativa privada ou são funcionários públicos ditos a outros poderes e esferas de poder, salvo o caso dos Magistrados e Promotores de Justiça, que gozam do seu auxílio moradia, algo escandaloso num país cuja crise econômica e política se agrava.
Está chegando a hora de acendermos a vela para todos os Santos, independente do credo.
