Esclarecendo a confusão do voto nulo

Por Renato Sant’Ana

“Se a família do candidato votar nele, ainda que o restante da população anule o voto, ele estará eleito.”

Vá saber com que propósito, volta a circular na rede uma campanha de DESINFORMAÇÃO, pregando o voto nulo e difundindo a ideia totalmente falsa de que anular o voto pode forçar uma nova eleição e impedir que os candidatos atuais concorram novamente. Aliás, para enganar os crédulos, já chegaram a dizer que era um aviso do juiz Sergio Moro.

A verdade é que basta um número irrisório de votos para a eleição ser válida. Se a família do candidato votar nele, ainda que o restante da população anule o voto, a eleição será válida e ele estará eleito.

Distorceram o sentido do art. 224 do Código Eleitoral, que é claro: se a JUSTIÇA ELEITORAL anular mais da metade dos votos, então uma nova eleição será marcada. Atenção! É de votos anulados pela JUSTIÇA
ELEITORAL que o dispositivo está falando! Nada tem a ver com o ato voluntário de o eleitor anular seu voto!

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Quando ocorre? A JUSTIÇA ELEITORAL anula, por exemplo, os votos de candidato irregular. Imaginem que se elegeu para prefeito municipal alguém que se registrou com o nome de Policarpo Quaresma. Depois, foi
descoberto que o nome era falso, um expediente para ocultar a verdadeira identidade – e a sua ficha suja!

Nesse caso, o eleitor foi enganado, pensando escolher uma pessoa, quando, de fato, estava votando noutra. Daí, todos os votos de Policarpo Quaresma serão anulados. Contudo, apenas se ele recebeu mais da metade dos votos válidos é que vai ser marcada uma nova eleição. E os outros candidatos, frise-se, poderão concorrer novamente.

Em suma, VOTO NULO VOLUNTÁRIO JAMAIS ANULA ELEIÇÃO! Para que banalizar o uso das redes sociais com bobagens?

Mais, a quem interessará divulgar a patacoada do “voto nulo”? Quem vai tirar proveito, se um grande contingente da população acreditar na mentira?

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Author: Da Redação

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