O ex-prefeito Eduardo Leite, presidente do PSDB gaúcho e pré-candidato ao Piratini, orientou a bancada de deputados estaduais tucanos a votar contra o plebiscito popular sobre as privatizações das estatais gaúchas.
O referendo foi proposto por Sartori, para ocorrer concomitante às eleições de outubro; o governador concluiu que as privatizações devem ser levadas em conta para se alcançar a saúde fiscal do estado, que está quebrado, bem como para a reforma estrutural deste, com o reposicionamento de suas prioridades.
Uma mera e democrática consulta aos gaúchos.
Mesmo assim, a proposta foi enterrada na noite desta terça-feira (5) – com os votos do PT, PCdoB, PSOL, e, surpreendentemente, do PSDB e do PTB.
Há um ditado que diz: “O político ambicioso faz como o violinista: afina com a esquerda e toca com a direita”.
É o que está fazendo o tucano pelotense.
Enquanto afina com a esquerda votando contra o plebiscito, pretende tocar com a direita o governo, ao ponto de dar à vaga de vice na chapa ao Piratini a ela. Qual direita de vice?
Nenhuma menos que o PTB, aquele partido ético do sr. Roberto Jefferson, o mesmo que domina os cargos de confiança no Sanep desde o começo do governo atual e onde 17 novos CCs foram criados outro dia por decreto da prefeita tucana Paula Mascarenhas, sucessora de Eduardo, onerando a já pesada folha de pagamentos em mais de R$ 2 milhões anuais.
Sim, no Sanep, uma autarquia que vive à beira da insolvência e cujos serviços são deficientes.
Como já se disse por aqui, o muro é o pouso preferido dos políticos que não perdem de vista o céu enquanto escalam as alturas.
Em conversas com a imprensa, o ex-prefeito tucano nunca afirma se é conceitualmente a favor ou contra as privatizações.
Outro dia, em entrevista ao jornal Metro, falou, no máximo, que “não se pode descartar a privatização do Banrisul”.
Sobre as demais estatais, CEEE, Sulgás e CRM, nenhuma palavra.
É uma forma antiga de fazer política, repetir a performance do violinista. Neste caso, projetando uma melodia indistinta no ar.
Pode ser o mais cômodo, mas não é o caminho ideal numa época em que tudo que se espera dos políticos é clareza e coerência de pensamento e ação, por respeito aos eleitores. Não o contrário.
