A serviço de quem estão os vereadores que não querem a CPI?

Jornalista Pablo Rodrigues, em sua coluna no Diário Popular desta segunda-feira (18), critica a hesitação da Câmara de Vereadores em relação ao requerimento de uma CPI para investigar possíveis fraudes na gestão pela prefeitura da concessão de lotes e unidades do Programa Minha Casa Minha Vida.

As fraudes teriam ocorrido na gestão do ex-prefeito Eduardo Leite, do PSDB, candidato ao governo do estado na eleição de outubro.

O caso veio à tona há duas semanas, quando a Polícia Federal, na Operação Dominus, recolheu computadores e documentos nos gabinetes e residências dos vereadores Waldomiro Lima, do PRB, e Ademar Ornel, do DEM.

A PF também deteve Waldomiro por porte de arma de fogo sem registro, um calibre 38 clandestino. Ele alegou que era herança do pai, pagou fiança e saiu livre.

A pasta em que teriam ocorrido as fraudes – a Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária – era dirigida por Ivan Vaz, apadrinhado de Waldomiro. E foi criada especialmente por Leite.

Nem Waldomiro nem Ivan possuem qualificação para gerir a pasta. Mesmo assim, o ex-prefeito aceitou a indicação e empossou Ivan.

 A estratégia do PSDB para adiar a CPI


A serviço de quem?

Com o título “A serviço de quem?”,  a coluna de Pablo questiona os vereadores que ainda não assinaram o requerimento da CPI, apresentado por Ivan Duarte, do PT.

Dos 21 vereadores, até agora só cinco assinaram o requerimento, quatro da oposição e um da situação.

Acordo de cocheira

Na semana passada, Marcola fechou um acordo pessoal com o líder do governo, vereador Fabrício Tavares (PSD), para adiar a CPI para depois das eleição de outubro, sob a alegação de que poderia ser usada para “prejudicar a campanha eleitoral de Leite ao Piratini”. Não se sabe ainda se o acordo será aceito pelos indecisos.

Escreveu Pablo, em sua coluna desta segunda:

“Fabrício está em seu papel. Busca costurar um acordo que proteja Eduardo Leite, pré-candidato ao governo do estado, do desgaste de uma CPI. O que não se consegue entender é a postura de Marcola. Por que concordar com isso em vez de buscar as assinaturas necessárias?

Há algum tempo já escrevi que Marcola havia tucanado por votar a favor do governo. De novo, tucanou.

Concordar com a instauração de uma CPI depois de outubro é concordar com a intenção da base do governo de proteger o ex-prefeito Eduardo Leite de qualquer mínimo arranhão.

Realmente, não é nada interessante para um candidato entrar em uma disputa dura como a pelo governo do estado respondendo sobre supostas irregularidades na administração de seu município de origem.

Para Eduardo, a CPI seria ainda mais desgastante sobretudo por colocar em dúvida a imagem e o discurso de gestor cuidadoso e exigente.

Se as suspeitas da Polícia Federal não forem suficientes para que os vereadores instaurem uma CPI na Câmara, o que será?

A serviço de quem os vereadores estão: do povo ou do governo?”

Author: Da Redação

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