A americana Jen (Matilda Lutz) é amante do empresário Richard (Kevin Janssens), com quem vai passar um final de semana no deserto. De forma inesperada, os amigos de caçada dele surgem na casa e imediatamente ficam atraídos por ela. Porém, após terríveis acontecimentos, Jen é abandonada para morrer e os homens terão que lidar com as consequências de uma mulher que anseia por vingança.
A diretora Coralie Fargeat
Em sua estreia em longas-metragens, a diretora e roteirista francesa Coralie Fargeat explora as mais diversas influências e cria um estilo de grande impacto.
O filme apresenta a velha estrutura do “rape and revenge” (estupro e vingança), um subgênero do Exploitation, bastante comum na década de 70. Este gênero é conhecido por abordar de modo apelativo a mulher que é deixada para morrer, mas que sobrevive e se vinga. Portanto, Fargeat não poupa na violência. Há muito sangue, mas nada é completamente gratuito.
Centrado na exposição do poderio feminino diante de um ato de violência, não é à toa que o filme é dirigido por uma mulher. Com ares de Lolita, e vista apenas como um objeto sexual e descartável, a jovem e provocante protagonista evolui a partir de um instinto por vingança que a torna uma personagem implacável e impiedosa.
Esteticamente impecável e propositalmente exagerado, a cinematografia aposta nas cores vibrantes, em especial o amarelo e o rosa do brinco da protagonista.
Além disso, a edição e a trilha sonora ajudam na construção da adrenalina e do ritmo frenético, favorecidos por planos que incluem closes, travellings e um excelente plano-sequência ao final.
Impressionante e arrebatador, Vingança surpreende por ser o primeiro filme da diretora Coralie Fargeat, que conquista com uma competência incrível. Visualmente deslumbrante, acompanhamos uma história de sobrevivência e renascimento simplesmente imperdível.
