Bandeira a meio mastro na UCPel por morte de estudante

A UCPel mantém bandeira a meio mastro em sinal de respeito ao estudante de Direito Giovanni Maurício de Souza, de 23 anos, que morreu afogado, na tarde de domingo, após pular da Ponte Honestino Guimarães, em Brasília. Ele foi sepultado ontem.

As informações abaixo são do site Metropoles.

Praticante de esportes radicais, Giovanni não conseguiu retornar depois de se jogar da ponte no Lago Paranoá. Natural de Novo Hamburgo, Giovanni cursava o último semestre de Direito da UCPel e passava férias em Brasília. Ele foi ao Lago Paranoá na companhia de dois amigos. Lá, o grupo decidiu pular da ponte, prática não recomendada pelo Corpo de Bombeiros.

Ponte Honestino Guimarães no Lago Sul
Foto de Daniel Ferreira/Metrópoles

De acordo com informações dos amigos de Giovanni , o jovem não retornou após pular da ponte. Mergulhadores dos bombeiros levaram cinco minutos para resgatar o rapaz. Tentaram procedimentos de reanimação por cerca de 40 minutos, antes de declarar a morte do jovem. 

Prática perigosa
O major Gildomar Alves, porta-voz do Corpo de Bombeiros, diz que os riscos de pular de qualquer uma das pontes sobre o Lago Paranoá são grandes e, portanto, a prática é desaconselhada. “Não recomendamos, pois existe risco de fratura ou mal súbito. A pessoa pode não saber nadar bem o quanto imagina e acabar se afogando”, informa o militar.

A amiga Ariela Amaral, que estava com ele no momento da tragédia, falou ao MetrópolesAinda muito abalada, a estudante de cinema e mídias digitais diz ter feito todo o possível para salvar o jovem. “O Giovanni praticava esportes radicais. Comentei sobre uma galera que às vezes pulava da ponte, e meus irmãos já tinham feito isso há uns anos. Ele se empolgou e me pediu para a gente ir lá pular, quando ele estivesse aqui [em Brasília]”, relata.

No domingo (22), após se encontrarem com um grupo de amigos, Giovanni, Ariela e um outro rapaz resolveram saltar da Honestino Guimarães. “Nosso amigo pulou primeiro. Eu estava muito nervosa e com uma sensação ruim. Comentei isso com o Giovanni, falei que não queria pular e morrer. Aí ele disse: ‘Ano que vem, você ainda vai pular de paraquedas comigo’. Falou com tanta firmeza que me acalmei e em seguida pulamos”, contou Ariela.

Ela caiu de mau jeito e começou a sentir dores no abdômen, mas, ao voltar para a superfície, encontrou o amigo sorridente e tranquilo. “Ele me falou para boiar e respirar. Perguntou se eu estava bem para nadar e me tranquilizou. Então, começamos”, afirma Ariela. Nesse momento, Giovanni disse se sentir cansado e ela pediu para ele ficar calmo.

“Ele disse: ‘Ariela, estou fraco’. Voltei e pedi que ele se acalmasse e tentasse boiar. Um amigo nosso gritou para nadarmos de costas”, resume. A estudante relata as inúmeras tentativas que fez para não deixar o rapaz afundar.

Momentos de desespero
Contudo, Giovanni tinha 1,80m de altura, e Ariela também sentia fraqueza. “Ele começou a ficar pesado. Decidi ficar de costas para ele e tentar puxá-lo, porque assim eu teria mais forças para nadar. Nadei muito”, lembra a estudante. “Nosso amigo também estava fraco e conseguiu chegar perto da gente, mas não deu conta de nos puxar. Giovanni ficou extremamente pesado nas minhas costas. Eu gritava por socorro, mas as pessoas que estavam na margem só assistiam [à tragédia]”, diz.

Foi então que Ariela começou a gritar o nome de Giovanni. O amigo dos dois conseguiu se aproximar e a puxou para o raso. Com sentimento de culpa, a moça acredita que poderia ter salvado a vítima. “Mais umas três braçadas e eu conseguiria. Só faltava isso. Em parte sinto culpa, pois queria muito ter sido mais forte para salvá-lo. Teria dado minha vida se soubesse que com isso o Giovanni se salvaria. Só fico pensando no momento em que precisei empurrar o corpo dele de cima de mim. Estou tentando me perdoar por tê-lo soltado.

Mãe e esposa devastadas com a perda
Em post no Facebook, a mãe de Giovanni lamentou a morte do filho. “Deus me deu dois príncipes e uma princesa. E, hoje, meu príncipe Giovanni Maurício de Souza se foi. Sei que nada suprirá seu sorriso, sua simpatia, sua gentileza, o respeito aos pais. O que farei agora? Sei em quem tenho crido, e o meu Redentor vive e me sustentará nas minhas fraquezas”, desabafou.Brasília a fim de realizar os trâmites para liberação do corpo do filho, que deve ser enterrado no Cemitério Jardim da Memória, em Novo Hamburgo (RS), onde a família mora.

A esposa de Giovanni disse estar “devastada” com a morte do jovem. Regina Souza, 22 anos, contou ao Metrópoles que estava casada com o rapaz há apenas sete meses. O universitário veio passar férias em Brasília.

Prática comum no DF
Aventuras nas pontes do Distrito Federal não são incomuns. Nas redes sociais, principalmente no YouTube, é possível ver vídeos de jovens se arriscando ao saltar dos elevados sobre o Lago Paranoá sem utilizar nenhum equipamento de segurança (veja vídeo abaixo).

Veja imagens do socorro: 

Os socorristas tentaram procedimentos de reanimação por aproximadamente uma hora, antes de declararem a morte de Giovanni. A corporação mobilizou cinco viaturas, um helicóptero e 25 militares, quatro deles mergulhadores, para o resgate.

A 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul) abriu inquérito para apurar as circunstâncias da morte de Giovanni Maurício de Souza.

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Author: Da Redação

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