Os presidenciáveis e suas alianças

Estamos na iminência do início do período eleitoral. Com isso, as candidaturas começam a oficializar seus parceiros, suas alianças e suas coligações majoritárias.

Jair Bolsonaro convidou a professora de Direito da USP, Janaína Paschoal, para ser sua vice. Ela o defende discretamente, mas faz ponderações públicas e inclusive críticas ao escopo de idéias reacionárias envolvendo a candidatura.

A professora foi entusiasta e proponente do pedido de impeachment de Dilma e vem se destacando por defender posições conservadoras com algum grau de eloquência, superior às manifestações quase sempre toscas de seu candidato presidencial. Foi convidada por ele no intuito de prestar algum grau de credibilidade ao Bolsonaro, o que não lhe está sendo tarefa fácil.

No evento em que foi recebida pelos militantes do PSL, um dos filhos de Bolsonaro comparou ela com o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, famigerado torturador do DOPS da época da ditadura, o que não foi bem recebido por ela – felizmente. Tudo indica que ela será oficializada como vice de Bolsonaro, apesar de alguns ruídos em sua relação com ele. Da mesma forma, tudo indica que o PSL, de Bolsonaro, irá concorrer sozinho nacionalmente, o que resultará em apenas poucos segundos para o seu programa de TV.

Ciro Gomes acumula duas frustrações, a de não ter conseguido firmar acordo com o centrão, que acabou optando por Alckmin, e a de não conseguir firmar aliança com o PSB – partido deste que vos escreve, diga-se de passagem – em razão do assédio e de acordos firmados entre o PSB de alguns estados com o PT, que incidiu para que o PSB se declare neutro nacionalmente, sem fornecer o tempo de TV ao Ciro Gomes.

Ciro sente-se naturalmente traído pelo PT, até mesmo porque queimou gratuitamente boa parte de seu capital político defendendo que Lula e o PT são vítimas de uma perseguição – tese que não se sustenta para boa parte de seus potenciais eleitores. Por ora, Ciro foi vítima do “veneno hegemonista” do PT, mesmo já tendo manifestado inúmeras vezes que sempre percebeu esse tipo de comportamento vindo do PT.

Para ingênuo Ciro não serve; e se servisse isto lhe retiraria credibilidade de igual forma, pois o embate político será naturalmente duro, sobretudo no atual cenário. Este acúmulo de frustrações lhe enfraquece neste momento de prenúncio de início do período eleitoral, que inicia em 16 de agosto.

Geraldo Alckmin será o candidato com maior tempo de TV, pois terá apoio de um bloco de partidos de centro-direita que funcionam à base do velho jogo político. Alckmin terá cerca de 40% do tempo total de TV destinado aos presidenciáveis, pois terá a maior coligação.

Em sua última entrevista dada à Globonews, defendeu privatizações e cogitou publicamente a extinção do Ministério do Trabalho e Emprego, sem dizer qual pasta sucederia as inúmeras atribuições executadas hoje por esta (tais como emissão da carteira de trabalho ou da carta sindical).

Ana Amélia Lemos, senadora gaúcha pelo PP, foi confirmada como sua vice, embora tenha de resolver um impasse partidário envolvendo o até então pré-candidato a governador do Rio Grande do Sul pelo seu partido, Luis Carlos Heinze.

Marina Silva sela aliança com o Partido Verde, partido com plataforma muito semelhante à da Rede, tendo Eduardo Jorge como seu vice – ex-candidato presidencial nas eleições de 2014. Tudo indica que Marina que não ampliará seu rol de partidos coligados, nacionalmente. A aliança da Rede com o PV será, talvez, a aliança mais coerente e programática desta eleição, ainda que estejamos tratando de duas siglas relativamente pequenas, porém com idéias à frente de nosso tempo.

√ Lucas Fuhr é advogado e sociólogo

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Author: Da Redação

2 thoughts on “Os presidenciáveis e suas alianças

  1. Caro Djalma Filho, reacionário no meu entender é quem tem um desejo de regresso social, uma nostalgia de um passado conservador que não volta mais. Que se opõe ao progressismo, aos “avanços sociais” (ainda que este conceito seja bastante genérico). Os defensores da monarquia na frança no contexto do Iluminismo eram reacionários, por exemplo. Quem não aceita que o Brasil retomou a democracia desde os anos 80, e deseja o regresso à ditadura, é reacionário, no meu ponto de vista. Agradeço a pergunta.

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