Minha solidariedade às enfermeiras da UBS Bom Jesus

Quando soube do que aconteceu com três enfermeiras da UBS Bom Jesus, pensei: eis algo que conheço muito bem! (explico no final). É algo repugnante, eu nem gostaria de falar disso, mas eis que o destino me ofereceu uma oportunidade de falar, pela primeira vez em quase 10 anos, de um fato lamentável – o registro de uma covardia.

Primeiro, as enfermeiras…

As enfermeiras Gerusa Appel, Francielle Lima e Elisabete Fuente contaram nesta quarta (22) à CPI dos exames de pré-câncer na Câmara que, após o envio ao governo de memorando de alerta sobre os exames em 2017, a prefeitura as transferiu da unidade.

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As três enfermeiras, e mais três médicos, assinaram o memorando.

Desde a a denúncia, sequencialmente, em conta-gotas, uma a uma as enfermeiras foram obrigadas pela prefeitura a deixar a UBS Bom Jesus, onde trabalhavam há vários anos, com o argumento de que precisavam realocar pessoal.

Com as médicas, a prefeitura não mexeu.

A enfermeira Elisabete foi transferida para UBS Obelisco.

Gerusa foi transferida para a UBS Dunas.

Francielle foi transferida para a UBS  Barro Duro.

“Não pedi transferência, não queria sair. A comunidade fez até abaixo-assinado para que eu permanecesse, mas disseram (prefeitura) que precisavam de mim em outro lugar”, afirmou Elisabete.

Mesmo diante disso, e do fato de que é contraproducente abrir mão de uma profissional ambientada em seu trabalho, socialmente integrada à comunidade.  Elisabete trabalhava na UBS Bom Jesus há 15 anos.

Aconteceu o mesmo na UFPel

Ha alguns anos, minha mulher passou pelo mesmo na UFPel, depois que um reitor não gostou de algumas matérias que fiz sobre a gestão dele. Psicóloga lotada há 22 anos na Pró-Reitoria de Assistência Estudantil, ela foi chamada pelo então reitor, que disse a ela a seguinte frase: “Preciso de ti no CAVG”.

Na geografia de então, a Reitoria cinicamente escolhera o CAVG como a “Sibéria” da UFPel. O local para onde despachar todos os indesejáveis.

A “sentença” não era o destino, mas o afastamento.

Ele queria simplesmente me atingir “ferindo minha mulher”.

Impedida da noite para o dia de entrar no local de trabalho, ela resistiu bravamente, mas acabou tendo de deixar o lugar onde estava lotada há mais de duas décadas.

Graças ao médico Danilo Rolim de Moura, homem bom, que conhecia minha mulher desde a juventude, ela foi chamada para trabalhar com ele na Faculdade de Medicina, onde permaneceu cinco anos.

Só no segundo ano da gestão do reitor posterior, Mauro Del Pino, minha mulher foi chamada de volta ao seu lugar de origem, a Pró-Reitoria de Assistência Estudantil. Por esse gesto, que não pedimos, sou eternamente grato ao Mauro. Ele fez a coisa mais bonita que se pode fazer na vida: Reparou uma injustiça perpetrada contra um inocente.

Sinto o mesmo em relação ao Danilo.

Por isso, gostaria de manifestar minha solidariedade às enfermeiras afastadas de seus ambientes de trabalho.

Author: Rubens Spanier Amador

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