“Isso a Globo não mostra!”

Recebo vídeos diariamente – e imagino que você também – pelo msn do face ou pelo whats, que começam com “Isso a Globo não mostra!”. Os conteúdos podem ser qualquer coisa, assuntos já batidos, a frase inicial é apelativa, só para chamar a atenção. Deve dar resultado, porque já virou “meme”, que não tem relação com qualquer conteúdo específico, serve para tudo.

já tive minha fase de contestação, de teorias conspiratórias, de críticas contundentes à mídia, de desconfiança sobre seus interesses. Com o tempo, mesmo sem perder o senso crítico, comecei a pensar no outro lado da moeda, ou seja, nos interesses das pessoas e dos grupos mais críticos à imprensa. Quais são os interesses, de quem contesta a “versão oficial” dos telejornais ou da imprensa escrita?

Anos atrás, os contestadores da mídia eram de esquerda, mas hoje a situação está mudando tanto que os mais ferozes detratores da imprensa estão à direita, no Brasil e no mundo. A imprensa que era acusada de “burguesa” agora vem sendo tachada de “comunista”. Não que os detratores à esquerda tenham mudado de opinião, pois suas propostas incluem um “controle social”, leia-se político, das mídias. Mas agora, além destes, e com mais virulência ainda, os ataques feitos em nome da direita visam desacreditar ao jornalismo profissional.

Ao contrário dos textos jornalísticos que seguem critérios como ouvir todos os lados, a busca da imparcialidade, a guerra política nas redes sociais não tem qualquer pudor – qualquer que seja a ideologia dos contendores – em deturpar grosseiramente os fatos, mentir despudoradamente, falsear informações, produzir ‘fakes’ massivamente para influenciar as pessoas, para manipular suas emoções do modo mais rasteiro, induzindo ao medo e ao ódio.

Quando uma informação jornalística não é isenta, costuma provocar reações da sociedade, principalmente dos envolvidos. Muitas vezes os professores e outras categorias profissionais já se sentiram assim, em seus movimentos, muitas vezes com razão. Mas agora estamos diante de outros fenômenos, de induções ao conflito ideológico sem nenhum pudor, onde prevalecer a própria opinião é mais importante que tudo. Se a mídia é imperfeita, as “alternativas” que a atacam parecem ser piores, pois não tem qualquer sutileza ou preocupação com a verdade, nem compromissos com a democracia. A liberdade de imprensa, afinal, deveria ser interesse de todos.

Não é só no Brasil, mas aqui temos o ambiente perfeito para prosperar a crítica como um modismo, é uma tendência cultural entre nós. Lancei um livro sobre o Brasil e para ironizar fiz uma foto com “Isso a Globo não mostra!” e a capa do meu livro. Muitos aderiram à brincadeira, mas outros perguntaram se era uma denúncia.

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Author: Da Redação

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