O caso da insegurança nos exames de pré-câncer de colo de útero feitos no sistema municipal de saúde, em investigação no Ministério Público, na Polícia Federal e na Câmara de Vereadores, por CPI, rendeu novo capítulo nesta quarta-feira (5).
? Mais sobre o caso dos exames de câncer
Vereadores da oposição e situação bateram bocas em plenário, depois que Cristina Oliveira, vereadora de oposição, apresentou para votação um requerimento convocando o ex-prefeito Eduardo Leite, a atual prefeita Paula Mascarenhas e a secretária de Saúde Ana Costa para deporem na CPI.
Fabrício Tavares
O “líder do governo”, vereador Fabrício Tavares (PSD), com seu habitual ar indignado e eloquente inteligência, vociferou contra o que entende como “uma tentativa de prejudicar a campanha eleitoral de Eduardo Leite ao Piratini”, arrematando que “o governo não se opõe à convocação daqueles para depor, desde que sejam chamados depois da eleição...”.
Pelas coisas que diz, o cérebro de Tavares, tradutor do cérebro do governo, merece um TCC.
É inconcebível que as autoridades em questão se recusassem a atender a convocações do Ministério Público e da Polícia Federal, em qualquer momento, certo? Por que então se recusariam na Câmara?
Pois, pelas palavras de Tavares, que são as mesmas palavras do governo, fica evidente que, para eles, a verdade só pode ser esclarecida com a condição de que não atrapalhe o processo eleitoral.
Num ambiente emocional saudável, ainda que a convocação atrapalhasse a campanha (e é claro que atrapalharia!), ainda assim, prevaleceria a compreensão de que pior é para o candidato fugir do compromisso.
Em termos humanitários, um político não deveria valer mais que o zelo pela saúde de milhares de mulheres que, pacientes, aguardam pelo esclarecimento mais urgente possível de fatos angustiantes que dizem respeito à vida e à morte.
Finalizando em ritmo de fuga:
O requerimento chegou a ser posto em votação.
Nem todos os vereadores estavam presentes.
A votação, empatada, se encaminhava para um voto de minerva do presidente da CPI, Marcos Ferreira, do PT.
Os telefones começaram a tocar na Câmara.
Marcos suspendeu a sessão e consultou a assessoria jurídica.
Marcos alegou “insegurança jurídica” e adiou a votação em uma semana.
Os telefones pararam de tocar.
PS: Há controvérsias, mas dizem que PT e PSDB são adversários.
