Primeiro Turno com responsabilidade

Nós, que reclamamos tanto, temos o poder de decidir os rumos do país nas urnas. Nenhum povo fala tão mal, dos outros e de si mesmo, do que o brasileiro. Pois é hora de assumirmos a responsabilidade por nossas escolhas – e aceitar as escolhas dos outros faz parte desse processo.

O Congresso Nacional – Deputados e Senadores – são eleitos no primeiro turno, cuja importância é fundamental, portanto. Toda atenção tem sido dada às polêmicas entre Presidenciáveis, mas quem vencer dependerá do Congresso para aprovar suas propostas.

Existe um Primeiro Turno para garantir que você vote em quem acha melhor, sem passar um “cheque em branco” ao primeiro colocado, se esse não representar a vontade da maioria, no Segundo Turno. Se sua escolha do que seria “melhor” para o país não chegar lá, você ainda pode votar no “menos pior”.

Fatores psicológicos, no entanto, pressionam as pessoas para uma espécie de “antecipação” do segundo turno, fazendo crescer índices dos que as pesquisas indicam estar na frente. É fácil entender isso, quando se forma uma maioria em uma determinada região, as pessoas daquela região pressionam seus conhecidos para fazerem o mesmo.

Pressões psicológicas geram consequências, se fossem inúteis não existiriam. No Brasil, em especial, devido à nossa baixa autoestima, o povo sente necessidade de votar “em quem vai ganhar”. Isso vale para os times de futebol – quem ganha títulos, ganha torcedores – e para candidatos também, quem sobe no Ibope, ganha simpatizantes.

Além de votar “em quem ganha”, também gostamos de estar bem com as pessoas que nos cercam. É a necessidade psicológica de “aprovação do grupo”. São essas pressões grupais que tendem a aumentar o apoio para quem está na frente naquela região.

Esses fatores psicológicos – a necessidade de “votar em quem vence”, somada à de “ser aprovado pelo grupo” – tendem a gerar grande polarização, como é previsível em estados do sul ou do nordeste, por exemplo. Dos cerca de dez milhões de gaúchos ou paranaenses, pernambucanos ou baianos, é previsível uma grande polarização já no primeiro turno.

A situação ideal – de que o eleitor esteja atento ao Congresso e à escolha do “melhor”, no Primeiro Turno – resulta difícil de acontecer, quando votar se torna um ato emocional, semelhante a torcer para um time de futebol. Podemos estar dando um “cheque em branco” aos que estiverem na frente, ao invés de demonstrar quem, afinal, melhor nos representa.

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Author: Da Redação

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