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Oportunidades de uma economia sustentável

CAPITAL NATURAL +

Marcelo Dutra da Silva | dutradasilva@terra.com.br

Em uma economia moderna de elevados investimentos em marketing, as questões sociais e ambientais, imbuídas na ideia da promoção do desenvolvimento com características de sustentabilidade, têm provocado uma verdadeira revolução no mercado. Novas oportunidades de empregos surgem a cada dia, desde a reciclagem até a maior eficiência nos processos e o desenvolvimento de fontes renováveis de energia.

E já que o emprego é um termômetro relevante para qualquer modelo de economia, é importante considerar que: “Os empregos estarão mais ameaçados onde os padrões ambientais são baixos e onde falta agilidade para inovações em prol de tecnologias mais limpas”, declarou Michael Renner, autor de Working for the Environment: A Growing Source of Jobs, que apesar de publicada em 2000, a obra se mantém mais atual do que nunca. E foi além: “Nossa pesquisa revelou um potencial imenso para criação de empregos fora das indústrias extrativas, empregos que não dependem do processamento gigantesco de matérias primas em uma só direção, e da transformação de recursos naturais em montanhas de lixo.”

De acordo com Renner, o desafio que se impõem à sociedade é o de proporcionar uma transição justa para os trabalhadores que perderão seus empregos nos setores de combustíveis fósseis e da mineração. E por mais incrível que pareça continuamos insistindo fortemente nisso. Pior, nossa esperança de desenvolvimento continua sendo depositada, quase que, exclusivamente nisso. Enquanto que boa parte dos novos empregos está sendo gerada no mercado verde, particularmente no setor elétrico, no campo das energias renováveis (solar e eólica), algo que recém estamos aprendendo a explorar.

Milhões de empregos são gerados todo ano, no mundo todo, na fabricação e instalação de turbinas eólicas e na produção de energia solar fotovoltaica, que já emprega milhares de pessoas. E a aerogeração é o segmento do mercado verde que mais cresce no momento, sem quase sentir os efeitos da crise econômica mundial, e conta com forte apoio governamental. O mercado já reconhece que os investimentos em energia renovável, eficiência, durabilidade e reciclagem, criarão mais empregos do que a convencional indústria extrativista, baseada no consumo sem eficiência e em fontes não renováveis de energia. O incremento da eficiência na utilização dos recursos significa uma economia de centenas de bilhões de dólares, um custo que pode ser convertido em investimento e em novos empregos.

A indústria da extração (mineração), das práticas agrícolas predatórias (de cultivo e criação) e do processamento de materiais primários (como metais, popa de celulose, do refino de petróleo e gás, e síntese de produtos químicos) compreende nossas atividades com carga de poluentes e onde a força de trabalho está mais exposta aos perigos da toxicidade, justamente onde a ameaça da extinção do emprego está mais presente. Não só porque as leis ambientais tornaram-se mais exigentes, mas porque a necessidade de uma maior velocidade e eficiência nos processos levaram ao incremento da mecanização, automação e novas tecnologias, o que vêm reduzindo, fortemente, a oferta de trabalho. Portanto, não é surpresa a defesa de alguns, em desfavor do aparelho estatal de gestão e controle, manifestada na intenção de unir ministérios, como o da Agricultura e do Meio Ambiente, para cessar o conflito (na chamada “indústria da multa”) e acelerar o licenciamento ambiental (como se fosse algo trivial, simples, que só dependesse de um carimbo).

Atenção! As oportunidades de emprego serão maiores na economia que caminhar na direção da sustentabilidade, e o ponto de partida é a mão de obra qualificada. No entanto, parecemos estar caminhando na contramão. O discurso do desenvolvimento permanece atrelado às práticas econômicas tradicionais, sem indicar novas perspectivas. Além disso, os investimentos em qualificação do trabalho ainda são bastante limitados e o mundo todo vem experimentando quedas no número de pessoas com educação avançada e especializada tecnicamente. Parece que a crise na educação não é uma exclusividade brasileira e a mão de obra qualificada está se tornando uma raridade no mundo. E nesse quadro, caberá às empresas dirigir seus esforços em mecanismos de qualificação profissional, possivelmente de forma compartilhada, com as Universidades e/ou centros de pesquisa, de modo a patrocinar a educação especializada, em áreas cruciais ao seu negócio. Então, a nova ordem de mercado também é oportuna para a academia. Mas será que estamos preparados para este novo desafio?

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? Marcelo Dutra da Silva é Ecólogo e Professor de Ecologia na Universidade Federal do Rio Grande.

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