Ainda o cavalo morto na Adolfo Fetter

A cena acima é tão absurda que fica difícil dizer alguma coisa. Dependendo do dia, um troço desses pode fazer alguém derramar uma lágrima. Um cavalo, morto por “exaustão”, desabado na avenida Adolfo Fetter, ontem.

Na queda fatal, virou a carroça, como se fosse um último protesto contra seu dono, pelos maus-tratos.

Vi um vídeo em que o suposto dono do animal, pela expressão facial, parecia não entender a responsabilidade pelo ocorrido.

No vídeo que populares fizeram, apareceu uma garrafa de cachaça próxima da carroça.

Lembrei de quando eu era criança. Não é incomum crianças, por confusão dos instintos e curiosidade mórbida, maltratarem animais.

Um dos meus amigos, garoto, fazia o serviço completo: nos fundos de casa, matava passarinhos que abatia com chumbinho e os enterrava num “cemitério”, que ornava com cruzinhas de gravetos.

Anos mais tarde, na universidade, perguntei por que ele fazia aquilo. Ele respondeu que não sabia e que, adulto, chegou a tratar do assunto em sessão com psiquiatra.

O único mal que fiz a um animal foi a um pássaro. Disparei com a arma de chumbinho do amigo e derrubei um bem-te-vi. Quando cheguei perto, vendo os olhos abertos do bicho, fui invadido pela culpa.

Nunca mais apontei uma arma para nada vivo nem morto.

O caso do cavalo é chocante não só porque o infrator é um adulto, mas porque, à primeira vista, não pareceu haver qualquer emoção envolvida.

O homem exauriu o animal que o servia. Não se preocupou nem mesmo em cuidar do “seu meio de vida”, uma atitude destrutiva com a própria vida.

Passou da hora de aprovar os veículos de tração humana, cujos protótipos foram aprovados pela prefeitura.

O triste episódio deveria acelerar a inserção desses veículos, em substituição à tração animal.

Pode não evitar outros casos assim, mas ajudaria.

Foto do arquivo do Jornal do Laranjal.

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