Do cabresto ao freio

Na Terra de Santa Cruz, a intervenção governamental permeou a rotina da população, primeiramente com as transações comerciais baseadas no escambo, em que, por troca de quinquilharias, os nativos davam o que de mais valioso a colônia produzia. Vieram os clérigos e com eles a conversão ao catolicismo, forçosamente vieram D. João VI e a corte portuguesa e estabeleceram por aqui o modo português de governar.

Desde esta época os impostos eram altos, a coroa monopolizava praticamente todos os setores da economia, controlando o modo de viver e principalmente quanto cada brasileiro ganhava, fato que gerou revoltas e execuções públicas.

Com a independência, o então império brasileiro deu continuidade a este tipo de política, muitas vezes sufocando a população para conseguir seus objetivos. Mesmo no período áureo do império de D. Pedro II, marcado por inovações e certo liberalismo, a coroa, com sua política intervencionista e controladora, cerceou a iniciativa privada chegando ao ponto de quebrar financeiramente algumas mentes empreendedoras.

Na república – ah, a República… -, a população deve ter se enchido de esperança e seguidamente se frustrado com a atitude republicana. Manteve-se o buçal (cabresto) centralizador, os estados da união continuam subjugados pelos interesses do poder central. O engatinhar republicano foi marcado por revoltas por mais liberdade, revoltas sufocadas com mão de ferro, lembrando aos patrícios que quem segura o cabo do buçal é o Estado.

No evoluir da República, o Brasil experimentou períodos mais ou menos democráticos, Getúlio, Jango, Juscelino, Figueiredo, FHC, Lula e Dilma, estes três últimos – tidos como os “mais democratas” – foram os presidentes que, sem medo de estar equivocado, passaram automaticamente do buçal ao freio sem transição e muito menos pudor.

O Brasil e o brasileiro estão relegados a aguardar o comando das rédeas do governo, situação que foi fomentada desde o início de nossa nação e acentuada nos governos democráticos, que com artifícios macabros, como o politicamente correto e a pseudoproteção de minorias, tentou conduzir o povo no caminho da desagregação nacional, separando-o em classes.

Hoje o novo governo, com um discurso de caráter liberal, assusta a população brasileira, habituada a ser conduzida pelo governo para um lado ou outro.

O mais triste resultado desta intervenção que vem de berço é o brasileiro sentir medo de caminhar com suas próprias pernas. Isso se traduz na espera de grande maioria da população brasileira por ver concretizada reformas que foram promessas de campanha. Ou seja, os brasileiros aguardam o comando das rédeas do estado mais uma vez pelo medo de uma puxada mais forte e inesperada que o faça esbarrar a pleno galope e dar meia volta.

A analogia com a doma e a condução de cavalos é só uma maneira de tentar expressar a mensagem deste texto. Não foi intenção depreciar o brasileiro com tal comparação, mas, se tanto os potros como o povo soubessem realmente a força que possuem, não estariam hoje esperando o comando das rédeas.

Já as teriam tomado para si e seguido seu próprio destino.

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