Maduro pede apoio do povo e do Exército. Protestos tomam o país

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou nesta quarta-feira 23 que não deixará o cargo que ocupa e pediu “que o povo e as Forças Armadas” fiquem a seu lado e mobilizados nas ruas nos próximos dias.

O mandatário do país vizinho fez as declarações em discurso em frente ao Palácio Miraflores, para onde marcharam seus apoiadores após uma semana marcada por grandes protestos da oposição venezuelana em diversas cidades do país.

A crise política na Venezuela tornou-se mais aguda nesta tarde, quando Juan Guaidó, deputado federal e líder da oposição a Maduro, declarou-se o novo presidente do país vizinho. Ato contínuo, os chefes de estado da maioria dos países do continente americano, como Brasil, Estados Unidos, Argentina, Chile e Canadá, emitiram comunicados oficiais reconhecendo a legitimidade de Guaidó como presidente da Venezuela. Na América do Sul, Bolívia e Uruguai não seguiram o mesmo caminho.

A resposta de Nicolás Maduro foi convocar uma manifestação de seus apoiadores em frente ao palácio presidencial. De lá, acusou os Estados Unidos de liderar um complô contra seu governo e de estar usando a oposição nacional para dar um golpe de Estado na Venezuela. “Pode um qualquer se declarar presidente? Ou é o povo que elege o presidente? “, perguntou. Maduro anunciou também que estava rompendo as relações diplomáticas e políticas com os Estados Unidos e deu um prazo de 72 horas para a delegação daquele país deixar o território venezuelano.

Já o presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Diosdado Cabello, que apoia Maduro, convocou apoiadores do governo para uma vigília em frente ao palácio presidencial para proteger Maduro. “A revolução bolivariana não tem prazo de validade. Vamos ficar nas ruas e em batalha agora e para sempre”, declarou Cabello a manifestantes pró-governo.

De acordo com informações das agências de notícias internacionais, a marcha pró-Maduro em Caracas reuniu um número bem menor de manifestantes do que os protestos contra o governo.

Assim, é imprevisível o resultado desta nova crise política na Venezuela. O país vive protestos e enfrentamentos mais agudos desde o início da semana, mas sofre com uma crise humanitária gerada pelo desabastecimento e pela hiperinflação que vem desde, pelo menos, o ano passado.

Certamente, o futuro próximo de Nicolás Maduro depende de como se posicionarão as Forças Armadas. Ele sabe disso, tanto que, em seu discurso nesta tarde, conclamou: “Peço às Forças Armadas Nacionais Bolivarianas, aos militares de nosso país, ao meu comando: máxima lealdade, unidade e disciplina, que também teremos sucesso”.

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