As diferenças do piloto e do copiloto

O presidente hostiliza a imprensa; o seu vice é cordial com ela, faz postagens agradecendo à imprensa que lhe procurou.

O presidente debocha de um opositor que diz sofrer ameaças de morte. O vice, ao contrário, pede esclarecimentos e diz que tais ameaças são “crimes contra a democracia”.

O presidente quer dar uma reviravolta nas relações exteriores, tendo nomeado um ministro “olavista” para o Itamaraty. O vice tentou evitar, articulou outro nome, mais moderado, para ser escolhido, tendo sido voto vencido. O vice, da mesma forma, sinaliza que acha inadequado mudarmos a embaixada brasileira em Israel para Jerusalém, pois tem noção do impacto econômico disso no mundo árabe.

O piloto é afoito, trollador, age movido pela a energia e raiva que lhe colocou no poder legitimamente. O presidente quer sacudir as estruturas, pois entende que o povo lhe escolheu para esta missão.

O copiloto entrou como coadjuvante, tendo sido a terceira opção do Capitão, trazendo a bagagem de vida de quem dedicou sua vida inteira ao exército brasileiro, no que este tem de virtuosos e de vicioso.

O vice recém faz uns anos que foi para a reserva, tendo ainda muitos laços com autoridades militares em atuação. O presidente já abandonou o exército faz mais de 30 anos, quando virou político.

O copiloto é general, o piloto é capitão. O primeiro tem alguma serenidade, estatura; o segundo foi o personagem aclamado pela população para que representasse a reviravolta “contra tudo o que está aí”.

A dúvida agora é saber qual o grau de influência de Mourão para colocar Bolsonaro num eixo de governo que, pelo menos, tenha início, meio e fim.

Muitos setores se acoplaram ao governo:

a) os conservadores morais – ou reacionários

b) os olavistas culturais, que declaram guerra ao “marxismo cultural”

c) os liberais privatistas da escola de Chicago,

d) os fisiológicos do Congresso que precisam de laços com o governo para continuar existindo, além de todos os grupos declaradamente de direita que vão parasitar o governo.

A pergunta de um milhão de dólares é: quais os compromissos que Bolsonaro fará questão de bancar em quatro anos, e quais serão escanteados?

Aguardemos os próximos capítulos.

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