Festa de momo (com ou sem ajuda)

“Hoje eu vou tomar um porre
Não me socorre que eu ‘tô’ feliz
Nessa eu vou de bar em bar
Beber a vida que eu sempre quis”

Muitas pessoas detestam e outras amam o carnaval, seus encantos e refrãos fascinantes. Os mesmos, por décadas e mais décadas, já fazem parte do dialeto dos foliões.

Quando o período de carnaval se aproxima, há uma espécie de libertação, ou seja, o brasileiro aguarda ansioso por esta data; um pouco dos seus problemas darão espaço para os blocos burlescos, desfiles nas Avenidas, bailes pelas boates da cidade e bailinhos de salão. A descontração é notada até mesmo nos mais formais pontos de trabalho.

A prefeitura de Pelotas e o carnaval, o carnaval e a prefeitura de Pelotas, sempre realizaram batalhas épicas quando a festa de momo se aproxima. A falta de organização financeira anual e os seus altos gastos com a folha salarial faz com que a prefeitura seja taxada de “inconsequente”, quando se arrisca em proporcionar alguma verba para esta finalidade.

O ponto fundamental que envolve todas as dúvidas sobre o carnaval de Pelotas e a “quantia” que lhe é disponibilizada é o fato de a prefeitura abrir os seus cofres, para este fim. Sinceramente falando, eu preferiria que este montante, independentemente de quanto fosse, tivesse o destino da área da saúde, uma vez que os tempos são de extrema crise financeira e seria um “deboche” estar faltando dinheiro para questões básicas de saúde, e não para uma festa.

Aos olhos de muitos parece uma verba sem fundamento. Por outro lado, muitas pessoas trabalham o ano inteiro, e mesmo assim não têm condições de passar o carnaval longe de Pelotas. Outras estão esgotadas dos seus afazeres e aguardam, como um tesouro, este tempo de festas, sorrisos e plena alegria. Elas não têm culpa se a prefeitura gastou demais ou não soube poupar o dinheiro público, para outros fins. Assim, ficam desoladas quando tal importância, por vezes reduzida, é colocada em dúvida.

“Ora, mas será que sempre sobra para o nosso carnaval”?

Com certeza, esta é a principal pergunta entre os foliões, mesmo acreditando que este dinheiro pudesse estar sendo mais bem empregado.

Entretanto, quando houve uma indagação sobre a diminuição do quadro dos Cargos de Confiança da Prefeitura Municipal de Pelotas, muitas pessoas disseram que a mesma ação não chegaria a 5% do orçamento de seus gastos. Ok. Parece um número pequeno e inofensivo aos seus cofres, mas agora tudo parece ter foco na verba destinada ao carnaval. Se a prefeitura ceder um centavo será massacrada. Em contrapartida, não foi capaz, ou não será, de repassar estes 350 mil reais para o evento, em paz.

O carnaval é uma festa sagrada, não pelo poder de suas festas, mas sim pelo artifício, mística que possuí de deixar as pessoas mais animadas. Os 350 mil reais que ele pode levar da prefeitura também são fundamentais para a saúde e os seus pacientes que tanto precisam de um mísero leito.

Para finalizar, a prefeitura, assim como em outros anos, encontra-se entre a cruz e a espada, no quesito carnaval. Somente ela poderá sair deste labirinto, em que a palavra organização deveria ser a chave de tudo.

Marcelo Oxley é jornalista.

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