‘Green book, o guia’, um favorito do Oscar

Indicado a cinco Oscars e um dos meus favoritos ao prêmio, Green Book: O Guia mostra a amizade, inicialmente inusitada, entre Tony Lip (Viggo Mortensen), um ítalo-americano que trabalha como segurança em uma casa noturna, mas que agora precisa de trabalho após sua discoteca, o Copacabana, fechar as portas, e Dr. Don Shirley (Mahershala Ali), um conceituado pianista negro.

O encontro entre os dois é devido ao fato de que o artista precisa de um motorista, e também de um assistente e segurança, uma vez que tem uma turnê marcada pelo sul dos Estados Unidos, no início dos anos 60.

Até o final dos anos 60, os afrodescendentes que precisavam viajar ao sul do país precisavam lidar com a segregação racial, sendo chamados de pessoas “de cor”. Para ajudá-los foi criado o “Green Book”, um guia de viagem que trazia uma lista de restaurantes e hotéis que aceitavam afro-americanos.

Conhecido pela direção de comédias de sucesso como Debi & Lóide, Quem Vai Ficar Com Mary? e Eu, Eu Mesmo & Irene sempre na companhia do irmão Bobby, Peter Farrelly faz sua estreia como diretor-solo. O diretor acerta em cheio ao equilibrar drama e humor em uma trama que cativa e emociona.

O roteiro de Farrelly, Nick Vallelonga (filho de Tony na vida real) e Brian Hayes Currie mostra uma história real, porém as famílias dos dois protagonistas têm opiniões diferentes sobre o assunto. O longa é acusado de imprecisões históricas pelo seu retrato da situação do sul dos EUA na década de 1960 e também pela amizade entre os dois, que membros da família do músico dizem nunca ter existido.

Apesar da pesada temática racial, Green Book trilha por um caminho mais leve, focando em uma road trip entre duas personalidades opostas que se tornam grandes amigos. É claro que a mensagem está lá, mostrando como os negros sofreram (e infelizmente ainda sofrem) com o preconceito até hoje, mas isso é mostrado de maneira sutil e nunca exagerada no filme.

Um destaque é a recriação da época, cujo design de produção reproduz tudo com muito charme e pela trilha sonora com canções de Little Richard, Aretha Franklin, Frank Sinatra e Nat King Cole.

O “ignorante” e o “arrogante”

Viggo Mortensen interpreta um Vallelonga ignorante, porém doce. Tão complexo quanto o pianista, ele consegue o que quer na conversa, mas quando necessário não hesita em usar a força para resolver conflitos. Um personagem que comete uma atitude racista (algo que é mostrado logo nas primeiras cenas) e que vai se transformando em uma pessoa cujos preconceitos e paradigmas vão sendo quebrados aos poucos. Essa transformação e alguns quilos a mais para o papel renderam ao ator a terceira indicação ao Oscar, em uma das melhores atuações de sua carreira.

O magnífico Mahershala Ali vive um personagem que começa arrogante por não se encaixar nas expectativas da sociedade para um homem com o seu talento e a sua cor. Prestes a entrar em turnê com o “Don Shirley Trio”, o fino e disciplinado artista sabe que as leis e os hábitos dos preconceituosos sulistas significam um alto risco para os negros. Shirley é, acima de tudo, um personagem contido e um homem que precisa se provar para o mundo e para ele mesmo. Em sua segunda indicação ao Oscar, Ali deve (e merece) vencer na categoria de melhor ator coadjuvante.

Com uma dinâmica perfeita entre dois atores fantásticos, Green Book: O Guia é um filme cheio de charme e humor. Simplesmente imperdível!

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