‘Melhor universidade vazia com pleno emprego que salas cheias de alunos que sairão piores do que entraram”. Por Gustavo Jaccottet

Um bolsista de Mestrado recebe a quantia de R$ 36.000,00 se mantiver a Bolsa pelo prazo máximo de 24 meses. Há ainda o custo “operacional” do mesmo, pago pelo contribuinte, se for numa Universidade Pública. O total pode se aproximar dos R$ 150.000,00 em meros 24 meses, a depender do PPG, da necessidade de laboratórios, viagens financiadas pelo mesmo contribuinte, publicações e outros fatores.

Todo acadêmico, seja de graduação, seja de pós-graduação, deve ter a responsabilidade de levar o seu curso da melhor forma possível, ainda que não o finalize ou não atue na respectiva área, conquanto, a verdadeira conquista é o crescimento intelectual recebido.

Diplomas têm se tornado irrelevantes. Gigantes como IBM, Google e Intel adotaram a política corporativa de não exigir profissionais com diploma para ocupar cargos que antes eram privativos de graduados.

Educação em nível superior não é um direito

Temos que formar uma Elite Intelectual de profissionais capazes de serem líderes, criadores de ideias e não repetidores delas; na própria academia vende-se a ideia das pompas e do glamour da formatura, de que a Universidade é “para todos”; não, a Universidade é “de todos”, não “para todos”, pois a todos serve, especialmente a quem depende de seus serviços, caso de um Hospital Escola, de uma Assistência Judiciária ou de um acompanhamento psicossocial.

O fato da suposta Dissertação de Mestrado no PPG de Geografia da FURG apresenta o desserviço que não só os pós-graduandos estão prestando ao Brasil, mas a sua Reitoria e a todos os Geógrafos.

A culpa deve ser posta sobre um elemento que é gritado aos sete ventos: “autonomia universitária”.

A Universidade possui autonomia didático-pedagógica, orçamento próprio e um Reitor com mandato fixo. Fica-se aqui.

A Universidade não é, nem jamais será, SOBERANA, como tem prefaciado aos sete ventos muitos dos reitores de Universidades Federais, esbravejando contra a formação de elite intelectual, sendo mais interessante a proposta de ter um exército de analfabetos-funcionais prestando serviços em seu favor, principalmente o famigerado voto nas eleições para a magnificência.

Há ausência de inovação, responsabilidade e senso de cumprimento do seu dever para com a coletividade. Num Brasil de diplomados, fomentamos a indústria eletroeletrônica asiática, haja vista que jamais um semicondutor foi por aqui produzido em escala industrial, deixando-nos na dependência da Taiwan Semicondutor Co., para não citar outros exemplos.

Melhor uma universidade vazia num universo de brasileiros empregados, em lugar de salas de aula abarrotadas de pessoas que saem de lá piores do que quando lá entraram.

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Gustavo Jaccottet é advogado.

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1 thought on “‘Melhor universidade vazia com pleno emprego que salas cheias de alunos que sairão piores do que entraram”. Por Gustavo Jaccottet

  1. Muito bom texto, Gustavo.
    As universidades públicas brasileiras de hoje, na sua maioria, comportam-se como adolescentes mimados, que bradam por autonomia, mas recusam-se a ajudar a produzir os meios necessários à sua subsistência. Assim como os adolescentes que exigem o direito de morar sozinhos, às custas da mesada e da comida da mamãe, que entre outras coisas precisa lavar os seus trapos (e até os das namoradas!!!), assim também agem as universidades públicas brasileira: esbravejam por autonomia para “gerir” os recursos que a “mãe” lhes alcança de mão beijada, mas se recusam a permitir a produção de receitas possíveis (e legais) em nome de uma gratuidade geral e irrestrita, de cunho puramente ideológico. É fácil fazer “caridade” quando se tem a barriguinha cheia e o contracheque garantido.
    Parabéns!

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