O mundo real depois do frenesi da eleição

O momento imediatamente posterior ao final dos grandes eventos, como a eleição que há pouco tivemos, é um pouco triste – algo como o fim do ato sexual, quando os amantes se estiram na cama e acendem um cigarro.

Hoje, em vez de fumar tabaco, consultam o whatsapp por um instante, mas o clima é o mesmo: tudo fica mais lento, submergimos numa suave melancolia, como quando voltamos sozinhos de uma festa.

Talvez a maioria se sinta assim, mesmo os candidatos que vencem, pois acaba aquela sensação de presente perene, de tempo suspenso e de expectativa que uma campanha eleitoral incute.

Pois nesta altura, quarenta dias de iniciados os governos, aquele clima se dissolveu. O pessoal que fuma depois do amor já apagou os cigarros e voltou à “vida real”, um lugar onde o colorido desbota um pouco. É hora de pegar no pesado de novo, os problemas continuam lá, contas a pagar.

Por isso, creio que no fundo perdedores e vencedores sentem uma certa tristeza na hora de recolher as armas, porque o momento da eleição é um território de ilusões.

Não é exagero dizer que o clima de uma eleição é um pouco o de uma guerra, no sentido do “prazer”. Outro dia deparei com uma observação que não deixa de ser verdadeira. Num documentário, uma pessoa afirma: “Uma das coisas mais odiosas de uma guerra é que, exceto a morte, tudo nela é bom”.

Quem sabe em que País mora (Brasil-polarizado), entende muito bem o que quer dizer.

Numa eleição, como numa conflagração, por um período, parcialmente as diferenças cedem lugar a alianças em torno de um objetivo comum – “derrotar o inimigo”. É uma espécie de game que anima as pessoas, fazendo-as esquecer de seus problemas. Temos a sensação de que, ao optarmos por um lado, nossa identidade é reforçada e nossa vida vale um pouco mais do que a vida que levamos, muitas vezes anônimos, num cotidiano maçante.

O problema é que, como no fim de uma guerra, quando uma eleição termina, há um vencedor apenas e, infelizmente, sempre restam alguns corpos e pequenas esperanças perdidas pelo caminho.

No fim dos confrontos, como depois do orgasmo, a aparente dissolução da diferença, aquela comunhão que une as mentes e os corpos no intercurso, deixa de existir. Então, todo o frenesi daquele que se entregou ao outro retorna ao ponto de partida.

Quando os confrontos acabam, o vitorioso faz o discurso clássico de “união” por algo maior, em nome de um país, de uma cidade, mesmo que de fachada.

Nos dias seguintes è eleição, sobrevive por um tempo a memória daquele momento “maravilhoso da guerra”, em que acreditamos que “lutávamos” por algo superior às nossas pequenas ambições.

Neste 11 de fevereiro, o cenário é muito diferente.

O Brasil é como é. O governo do Estado está quebrado, atrasando salários. Pelotas não teve eleição, mas o momento da administração é monótono, sem perspectivas sólidas.

Como diz o ditado, “dormindo (ou amando), o homem é um rei; acordado, é um mendigo”.

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