Não era o “ninho daquele Flamengo”

Caríssimos amantes do futebol, mães e pais, vocês realmente acreditam que a tragédia com aquelas jovens promessas, está relacionada com o poderosíssimo Clube de Regatas do Flamengo?

Ora, como poderia ter acontecido nas “dependências” do clube de maior torcida do Brasil, e uma das maiores do mundo? Como este “descaso fatal”, estaria relacionado com uma estrutura capaz de formar centenas de jogadores, e logo, enriquecer os seus cofres com as suas negociações, vendas?

Como este triste acontecimento seria do Flamengo de Zico, Adílio, Júnior, Bebeto e Adriano? O mesmo Flamengo de dezenas de atores famosos, como: Tiago Lacerda, Carolina Dieckmann, Heloísa Périssé, Cauã Reymond, Bruno Gagliasso e Marcelo Faria. O rubro-negro do gigantesco narrador, Galvão Bueno.

Não, não estamos falando do Ninho do Urubu, comandado por um Flamengo, que apresenta uma receita de quase de 650 milhões de reais. Nem de um rubro-negro, que está entre os maiores 20 clubes, do mundo, em arrecadação. Um time Campeão da Libertadores da América e Mundial.

Estamos falando de outro Flamengo, o qual, não tem condição alguma em ter um alojamento decente. E que ainda possuí o mesmo material da Boate Kiss. Um Flamengo miserável e que não disponibiliza de verba, para pagar alguns seguranças que pudessem zelar pelo sono e sonhos, daqueles jovens atletas.

Estamos falando de um Flamengo que cedeu alguns contêineres e “atirou”, no seu interior, meninos que buscavam um futuro melhor, além de fantasiar em ser um jogador de futebol.

Comento sobre um Flamengo que não teve a “oportunidade”, de ser visitado pelo Corpo de Bombeiros. Um Flamengo pobre e sem dinheiro. Falo sobre um Flamengo sem sócios, ou com poucos contribuintes. Como eu poderia falar do “Flamengo original” que possui, em dia, quase 100 mil sócios? Eu não ousaria falar de um clube que pagou, nestes últimos anos, aproximadamente 99 milhões de reais, por dois atletas: Vitinho e Arrascaeta.

“Uma vez Flamengo
Sempre Flamengo
Flamengo sempre eu hei de ser”…

Pelo menos dez meninos, até agora, morreram com o refrão deste hino. Morreram na esperança de ser um jogador de futebol; desejo de quase todos os jovens. Adolescentes que saíram de suas casas muito cedo e por vezes, contra os anseios de seus pais. Adolescentes que foram vítimas do descaso do maior clube do Brasil.

Esta tragédia aconteceu, sim, com este Flamengo. O clube do povo e querido por onde passa. Mesmo que tivesse sucedido com uma bandeira de menor expressão, a dor seria a mesma. A decepção e impotência estariam estampadas dentro dos nossos corações, porém, como pode ter acontecido com o Flamengo? Um time rico, intenso e imponente, mas com visíveis traços de desleixo, descuido e abandono por aqueles que deveria ter todo o cuidado possível, pois uma coisa, muito importante, não lhes faltou: dinheiro.
Teoricamente, a palavra probabilidade foi impiedosa contra o time carioca. Deveríamos acreditar que tal tragédia acontecesse com um time que não disponibiliza, tampouco, de uma chuteira ao seu atleta, ou com um time mundialmente conhecido, afortunado, milionário e luxuoso?

A negligência, não escolhe uma condição financeira para atacar. Se depender do “homem”, retornaremos no que ele tem de melhor, e também de pior. Tudo dependerá do seu caráter e “maneiras” de realizar algumas ações.
Que Deus esteja com estes familiares e estas almas.

Marcelo Oxley é jornalista

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