Nossa formação acadêmica não é nenhum Rolls Royce… Por Gustavo Jaccottet

É dever inerente à Universidade, especialmente a pública, sustentada pelo contribuinte, a formação de profissionais de vanguarda. Só estes serão capazes de perpetrar serviços à comunidade, serem úteis, inovadores e prezar pela excelência.

A graduação, por si só, é insuficiente para criar bons profissionais, faz-se mister a composição de bagagem, que pode vir de casa, da escola ou de ambos. Para tanto, a fim de explicar o meu ponto de vista de uma forma crível, usarei de metáforas nos parágrafos a seguir.

Seria extraordinário que todos os egressos de uma Universidade Pública de lá saíssem no mesmo patamar de qualidade de um Rolls Royce (automóvel britânico cujas peças são feitas à mão e assinadas pelos engenheiros responsáveis). Há, contudo, que se sopesar que as Universidades Públicas formam, hoje, uma centena de automóveis chineses e nenhum Rolls Royce, quiçá uma Mercedes Classe A ou uma BMW Série 1. Perdeu-se a perseguição primazia e da excelência. Da linha de produção universitária, agora, saem calhambeques que se classificam como um Rolls Royce.

Sopeso que deprecar um Rolls Royce Phantom para cada 1.000 egressos demandaria apertar o botão reset em todo o planejamento universitário brasileiro. Como diz o ditado, antes de se sair de Harvard, há a necessidade de se ser aceito por lá.

A lógica de ingresso, no Brasil, foi desvirtuada. O ingresso é a carta de alforria para o recebimento do Diploma de Graduação, entregue em canudos coloridos, geralmente tecidos em metal com uma camada de veludo.

Os verbos lutar, debater e criticar, ocuparam o espaço de inovar, aprender, criar, desenvolver, escutar e trabalhar. Nossos autos chineses se contentam com um concurso público. Um Rolls Royce não descansaria até ter um negócio de excelência.

Como considerei acima, não é todo egresso que será uma gema já lapidada. Pelo contrário, o bom senso determinaria que esse processo se desse ao curso da vida profissional, mas é alentador que uma pequena parcela saia de um curso sustentado pelos pagadores de impostos hábil a prestar da OAB sem a necessidade de cursinho ou de tecer trabalhos acadêmicos em nível de um trabalho de livre-docência.

Generalizar este anseio é incongruente ao mercado de trabalho e à livre-concorrência.

Nesse universo de milhares, dois ou três Rolls Royce, uma centena de Mercedes, outra centena de automóveis premium para pouquíssimos carros chineses é o que entendo como desejável. A isto é o que chamamos de elite intelectual, não formada somente por um Rolls Royce, senão por outros marcos da engenharia automobilística, excluindo os veículos chineses.

Se a metáfora não foi suficiente, basta ver no YouTube o método de fabricação de um Rolls Royce. Há um processo seletivo para a sua aquisição. As poucas edições produzidas a cada ano são distribuídas de forma criteriosa. Não basta ter £2.000.000,00 para pegar a chave. A empresa quer conhecer quem vai comprar um exemplar do Santo Graal da Engenharia Automobilística.

Mas, e nós, como nos situamos nessa história? Pois bem, seguidamente somos movidos por um Rolls Royce e nem nos damos por ponta. A empresa britânica é uma das maiores fabricantes de turbinas de avião, das quais destaco a Trent 900, uma das preferidas das Companhias Aéreas Brasileiras.

Portanto deixo a minha questão: você se sentiria seguro voando de Porto Alegre a São Paulo num Boeing 737-900 movido a motores chineses, ou optaria pela excelência britânica dos motores Rolls Royce?

Este é o ponto cardeal de todo o debate sobre a necessidade de se formar uma elite intelectual a partir de uma visão panorâmica da realidade impressa no Brasil.

Há soluções?

Com certeza há, a começar pelo homeschooling e o investimento na educação básica, haja vista ser este um direito de todos, ao contrário do ensino superior, jamais categorizado como um direito fundamental.

A Universidade a todos pertence, mas nem todos podem nela ingressar, e aos que nela estiverem fica o dever de serem bons, prezarem pela liderança e pelo empreendedorismo, caso contrário seremos um veículo pomposo com a marcha ré sempre engrenada.

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Gustavo Jaccottet é advogado.

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1 thought on “Nossa formação acadêmica não é nenhum Rolls Royce… Por Gustavo Jaccottet

  1. Muito bom texto, Gustavo.
    Parabéns!
    Agrego, porém, que para “que todos os egressos de uma Universidade Pública de lá saíssem no mesmo patamar de qualidade de um Rolls Royce”, seria necessário voltar a formar PROFISSIONAIS para o mercado, em substituição à formação de militantes partidários, que hoje prepondera em alguns cursos, lamentavelmente.

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