Leitor critica Bolsonaro e todo mundo!

No Amigos de Pelotas, a opinião é livre

A gente não ia publicar este artigo, pois pareceu venenoso. Depois, achamos forte, mas aceitável numa democracia com liberdade de expressão

And the band played on…

Permitam-me abrir meu texto dizendo que eu quero que o PT se lixe.

Não acredito que mereçam melhor destino do que estão tendo, pela abissal discrepância entre discurso e prática durante três gestões e um quarto de uma quarta malfadada quarta gestão (que os burros de plantão insistem em chamar de “16 anos de PT”, e não 11 e meio, esquecendo que o Temer que eles apoiaram é MDBista, porém não sou pago para dar aula de matemática a ninguém).

Talvez Lula mereça estar mesmo na cadeia, mas quem se formou em boa faculdade de Direito e fez o curso de modo sério, sabe que não do modo como foi conduzido o julgamento.

Então, temos Lula na cadeia, azar de Lula (e dos inimigos dele, que estão de fato alimentando um mito, sobretudo se ele morrer no cárcere). Estabelecidas essas premissas, subtraio todo o argumento no qual se erige o governo atual, tão recente e já afundado em escândalos sucessivos.

Bolsonaro e filhos já produziram, desde o turning point da campanha (quando a prisão de Lula o tirou das pesquisas e Bolsonaro passou a vencer todos os cenários de primeiro e segundo turno então possíveis), toda a sorte de vilania imaginável, cujo pináculo foi o suposto e obscuro atentado que insistem em colar ao PSOL, sem provar que alguém além do suposto executor teria orquestrado um ataque a um candidato que só semeou ódio e violência durante os momentos em que não tinha a questão de saúde para se esconder atrás.

O desafio da presidência nesse momento não seria resolvido certamente por Haddad e pelo PT; mas Bolsonaro não era a solução. O Brasil, no segundo turno presidencial, esteve diante de uma das acepções termo tragédia: qualquer desfecho seria ruim para o país.

Bolsonaro, contudo, penso que é pior, porque é imponderável. Qualquer pessoa com cérebro funcionando bem sabe que nunca fomos ou estivemos ameaçados de virar um país socialista (o que é algo bem distante do comunismo, como quem leu algo além de blogs de direita, Twitter e grupos de WhatssApp sabe). O petismo apenas aperfeiçoou a velha corrupção estatal, arraigada de modo ainda mais profundamente no seio brasileiro durante os anos de ditadura (sim, ditadura, com Congresso fechado e tudo o mais que manda o figurino) militar.

A “alternativa” Bolsonaro parece ser uma aposta franca no “xamanismo político”. É Tom Jobim apavorado com a doença procurando o Homem do Rá, ou Marcelo Rezende abandonando o tratamento convencional no (onipresente) Hospital Israelita Albert Einstein para se tratar na “clínica” de Lair Ribeiro. As chances de dar certo são as mesmas, assim como o provável desfecho.

Eu sempre tive uma ideia sobre a média da população brasileira que me fez não ficar surpreso com o êxito bolsonariano. Talvez por conviver com pessoas das mais variadas classes e estamentos sociais, e por um misto de refinamento e sensibilidade do qual não posso fazer falsa modéstia, eu intuía que o Brasil profundo estava cada vez mais pendendo para uma agenda como a que Bolsonaro passou a adotar na campanha (porque aqueles que não forem preguiçosos verão que, afora o apreço por torturadores, Bolsonaro já defendeu posições radicalmente opostas às atuais, tendo no passado elogiado Chávez, a estatização da economia, o protecionismo e até mesmo Lula!).

O problema é o preço (democrático, porque eu acredito no processo eleitoral brasileiro, diferente do eleito) que todos pagarão pela vontade da maioria. Ou melhor: já estão pagando, e pagarão cada vez mais.

Parece que desde que o mercado elegeu Bolsonaro como seu candidato dileto, cegando-se à sua abominável vulgaridade em todos os aspectos da existência, assim como à sua vida pública pregressa (tudo em prol do “PT nunca mais” – mais um desserviço prestado pelo PT…), o país entrou no modo And the band played on…: a banda segue tocando enquanto o Titanic afunda.

A diferença sutil parece ser: enquanto o transatlântico soçobrava, não me recordo de ver relatos dos passageiros da elite ou dos mais desfavorecidos celebrarem o iceberg, ‘fazendo arminha com a mão’.

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