Os anos passam, eu passo e o Laranjal segue o mesmo

Foi entre 1997 e 1998 que escolhi o Valverde, no Laranjal, como opção para morar. De lá para cá, algumas idas e vindas para outros locais, mas com o coração sempre apertado e voltado aos balneários.

Os moradores do Laranjal, através dos tempos, sempre travaram duras batalhas com os órgãos que deveriam ajudá-lo. Digo, pois viver neste bairro abençoado por Deus, por pouco mais de 20 anos, não é quase nada, em relação aos outros moradores que residem por lá há mais de 30, 40 anos, convivendo com o descaso.

Quantas bandeiras políticas, políticos e prefeituras passaram pelo Laranjal e não tiveram a capacidade de resolver questões básicas? A população daquele bairro não é contra este ou aquele governo, porém torna-se muito unida, quando não lhe é repassada, de forma clara, o destino do dinheiro pago pelos impostos que lhes são cobrados.

O Laranjal cresceu.

Temos mais escolas, empreendimentos, restaurantes, farmácias, supermercados, postos de gasolina, enfim, diversos nichos de mercado e novos moradores, que faz o bairro extremamente promissor e em pleno desenvolvimento de negócios.

Logo, manter a mesma linha, ações e estudos sobre a infraestrutura, ou pelo menos não melhorar a pouca que ainda existe, é ultrapassar os limites do bom senso com o seu povo.

Chegamos numa situação que não precisamos mais apontar os contrapontos, épicos, em que o Laranjal é submetido. Existem matérias diárias que documentam, vídeos que apresentam a desatenção e rodas de bate-papo em qualquer esquina de Pelotas, relatando o seu desamparo, por décadas e mais décadas.

O Laranjal, de fato, é reconhecido por ser belo e feio, ao mesmo tempo.

Quando se aproxima o verão, também aguardamos algumas “melhorias” da prefeitura, pois é chegada a hora de tudo ser aprimorado por um instante, uma vez que, nossas praias receberão milhares de visitantes, turistas e tudo precisa estar devidamente alinhado para não decepcioná-los. Porém, este ano nem a estação do calor tem nos ajudado: estamos jogados ao vento.

Como não há um maquinário, só nosso, para arrumar as ruas esburacadas, logo depois das chuvas?

Como não existe uma equipe, só nossa, que cuide da revitalização e limpeza das calçadas e vias?

O Laranjal, se me permitem, não possuí apenas uma bela orla; há vida em todos os locais. O Laranjal, e é por esta razão que ressalto alguns pontos e este “abusado” pedido, é uma praia, e deste modo é preciso ser cuidado como uma praia.

Por aqui, a quantidade de areia ainda é bem maior do que de pedras. Neste lugar, árvores e gramas ainda sobrevivem ao homem e seus relaxos. Por estes abençoados motivos naturais, a falta de reparo com a sua manutenção é visível e julgada, por boa parte dos cidadãos pelotenses.

O Laranjal não é diferente dos demais bairros. Ele não quer nenhuma vantagem ou “cafezinho”, apenas gostaria de ser mais um, aos olhos da prefeitura. Se outras localidades, de Pelotas, enfrentam semelhantes ou piores dificuldades, me desculpe por não citar.

Contudo, se cada morador colocar “para fora”, de maneira pacífica e perspicaz os problemas relevantes dos seus bairros, em breve, pela intensidade e veracidade dos fatos, esta lacuna seja resolvida bem antes do esperado.

Não há nada de errado, um morador cobrar por melhorias. É naquele bairro que ele escolheu para viver e construir os seus sonhos. Apenas haverá felicidade e motivação para a sua família, se houver dignidade, carinho e atenção.

Dizer que pagamos altas taxas de impostos e somente por este motivo, cobrar o progresso, já não causa mais impacto para quem governa. É preciso utilizar outras “táticas”, mais inteligentes e efetivas, para se fazer ouvir.

© Marcelo Oxley

Facebook do autor | E-mail:marceloesporteucpel@yahoo.com.br

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