“MEU TIPO INESQUECÍVEL”

O governo Bolsonaro não tem freios nem autocrítica.

A foto do presidente da República de chinelos Rider e jaquetão de esportes, ao lado de alguns ministros, em sua volta apressada a Brasília depois da internação hospitalar de 17 dias, caiu na boca e na pena dos internautas, que a tomaram como prova de falta de compostura do governo.

Na realidade, a imagem surpreendente ainda não foi devidamente analisada em todos seus contornos e significados.

Sob qualquer ponto de vista, um presidente mal vestido, em foto formal, é um prato cheio para os críticos. Estes se deitam e tudo fica por isso mesmo.

Pensando bem, cenas como essa são raras. É bom confrontá-la com ocorrências do passado. Assim podemos fazer uma leitura melhor de seu impacto e consequências.

No passado já tivemos o “presidente esportista e arrojado” dentro de um avião Mirage (Fernando Collor).

Collor

Houve o caso do general-cavaleiro (Figueiredo), fazendo questão de parecer grosso.

Figueiredo

Nesses dois casos, as imagens de cada um foram produzidas e distribuídas pelo serviço de imprensa da Presidência com o claro intuito de “criar uma imagem positiva” na opinião pública. Se deu certo ou errado, já não importa discutir.

Também não se pode esquecer do presidente Jânio Quadros, com seu jeitão de Mazzaroppi e lances popularescos como carregar caspa sobre o paletó, à altura dos ombros, supostamente para parecer “gente como a gente”.

Jânio

Os três presidentes citados não tiveram final feliz em seus governos.

Temos agora o caso do “presidente largadão”, misturando indumentárias como chinelos, abrigo esportivo, camiseta do Palmeiras, tudo isso depois da incrível facada/fakada em Juiz de Fora e de aparições-relâmpago nas redes sociais.

Ele

No primeiro momento, a foto presidencial pareceu tratar-se de alguém que fugiu do hospital, ou dele foi resgatado, à revelia dos médicos, num lance canhestro visando “botar ordem no governo”, tomado por bate-bocas e fofocas.

Resumindo, era o capitão Bolsonaro agindo como “coronel”, incentivado pelos filhos e jagunços a seu serviço…

Ansiedade, ousadia ou desespero?

De fato, em 50 dias de governo, em meio às férias forenses e legislativas, instalou-se em Brasília uma bagunça estranha, sem divergências explícitas, com todos os membros mais notórios do governo – os ministros Guedes e Moro, principalmente — se apressando a apresentar projetos e tomar medidas de caráter conservador, mas sem planejamento, sem logística, sem timing na divulgação das intenções.

Ninguém se surpreende com os projetos do governo Bolsonaro, que tem um norte claro: pretende reformar/erradicar coisas feitas em governos anteriores e acelerar o passo na privatização da economia, do ensino, da saúde e de tudo que estiver nas mãos do Estado, inclusive a administração de aeroportos, empresas energéticas, estradas e penitenciárias.

Tudo isso na base da truculência, sem considerar erros cometidos em outros países — no Chile a privatização da Previdência foi um desastre que lançou os idosos no desamparo — e sem admitir a hipótese de que possa haver contradição, divergência e oposição nos setores legislativo, judiciário e na sociedade em geral.

Pode-se por isso cogitar que a foto do presidente de chinelos em palácio “escapou” do controle e foi ao ar para prejudicar sua imagem, numa típica ação do famoso “fogo amigo”. Em tempo de celulares ligados e fake news pululando nas redes sociais, tudo é possível.

LEMBRETE DE OCASIÃO
“Quando uma ideologia fica bem velhinha vem morar no Brasil”
Millor Fernandes

© Geraldo Hasse é jornalista

Facebook do autor

 

1 thought on ““MEU TIPO INESQUECÍVEL”

  1. Geralmente o que é lindo aos olhos é podre para a nação……….mil vezes Bolsonaro de pijama e chinelo Rider, mas com a determinação de fazer do Brasil uma grande nação. Bolsonaro Presidente (aceita que dói menos)

Obrigado por participar.

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