Cinema: Enquanto ela dança e ele toca piano, a História se desenrola

Durante a Guerra Fria entre a Polônia Stalinista e a Paris boêmia dos anos 50, o músico Wictor (Tomasz Kot) e a cantora Zula (Joanna Kulig) vivem um amor impossível.

Com merecidas três indicações ao Oscar (filme estrangeiro, diretor e fotografia), Guerra Fria mostra dois amantes que se separam e se reúnem diversas vezes na história.

Ao invés de detalhar as razões do distanciamento do casal, o filme se interessa muito mais pela permanência dos sentimentos em um mundo em transformação.

Cada vez que Zula e Wictor se reencontram, seja em Paris, Varsóvia ou Berlim, eles estão com novos amores e novos trabalhos, mas o sentimento se mantém. De fato, esta é uma trama repleta de meios encontros.

Dirigido pelo talentoso Pawel Pawlikowski, o longa mistura humanismo, história e poesia com uma sensibilidade impressionante.

Entre os principais eventos do fim da Segunda Guerra Mundial, o romance, que se desenvolve ao longo de 15 anos, poderia ocupar uma narrativa extensa e cansativa. Felizmente, o diretor acerta ao evitar o didatismo, em um filme de quase 1 hora e meia e lindamente filmado em preto e branco.

As personalidades dos protagonistas favorecem os conflitos. Ela é extrovertida e livre, em uma composição fantástica de Joanna Kulig. Ele, em contrapartida, possui uma expressão melancólica e a fala tímida.

Enquanto ela dança e ele toca piano, a História se desenrola como pano de fundo, incluindo a proibição de cruzar fronteiras, as dificuldades financeiras e a ameaça de conflito armado.

A cada ano que passa, os dois estão cada vez mais cansados, machucados e velhos. Tudo isso, diante dos olhos do espectador.

Através de sequências impecáveis, a representação de um sentimento pode ser muito mais potente na sugestão do que em juras de amor eterno. Zula e Wictor se comunicam melhor em silêncio, quando se admiram com carinho e melancolia, mas também com admiração. Guerra Fria prova que o cinema é muito mais belo quando representa o amor ao invés de dizê-lo.

Déborah Schmidt estudou Administração de empresas

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