UMA CRONIQUINHA SOBRE SELFIES

Eu costumava ver como vulgar a superexposição pessoal nas redes sociais. Mudei ‘um pouco’ de ideia.

Digo ‘um pouco’ porque ainda sou daquelas pessoas para quem “Menos sempre é MUITO MAIS”.

Menos é mais, acho eu, porque, assim, a gente não cansa os outros e, portanto, os outros não se cansam da gente.

Hoje em dia continuo assim.

Diria que continuo um comedido, mesmo sabendo que o comedimento, no fim das contas, não me protege, pelo contrário.

Embora menos comedido do que antes, eu tenho procurado, pelo menos, eleger minhas expansões.

Nem sempre dá certo; sinto, aqui e ali, que ultrapassei um limite, às vezes tarde demais, ainda que eu me dê conta e faça algum esforço para dar um passo atrás, até antes da ultrapassagem.

É engraçado. Eu me consolo pensando que não devo ser louco (não totalmente, pelo ‘menos’) porque “me dou conta”.

O instinto ‘me diz’ que a fronteira foi ultrapassada. Ou seja, percebo que possuo o instinto, embora muitas vezes, desafortunadamente, ele se manifeste depois do ocorrido.

Hoje em dia ando achando que não devemos negar as nossas expansões, mesmo que seja em excesso. O outro há de compreender e perdoar, pois certamente é um igual.

É muito chato ficar se comedindo.

É desumano não exceder a linha divisória, mesmo que soemos vulgares.

É antinatural calar o anonimato, guardar a si em si mesmo, privar os outros dos nossos testemunhos.

Não é bom privar dos pensamentos, das pessoas que somos e também, claro, das pessoas que gostaríamos de ter sido.

Tudo bem no último quesito… Dependendo do ângulo da foto, até ficamos parecendo as pessoas que gostaríamos de ser: sedutores, amados e felizes, merecedores de todo o reconhecimento, essas coisas Hollywoodianas.

Às vezes decido cair fora das redes sociais.

Logo estou postando de novo.

Fico admirando a barra de rolagem.

Aspectos vistosos de nós, provas dos nossas ousadias, testemunhos de nosso orgulho familiar, comunicados, mensagens de otimismo.

Também nossos apetites, simpatias, afinidades (romances, comidas, viagens etc.). Também, claro, todos os nossos reclames possíveis, contrariedades, manifestos de todas as formas, conhecidas e inventadas.

É só a vida se desdobrando por si mesma, fazendo algo por si.

E como é bela!

E eu diria que é bela mesmo quando a notícia é triste.

© Rubens Spanier Amador é jornalista.

Facebook do autor | E-mail: rubens.amador@yahoo.com.br

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