É carnaval: o riso como expressão democrática

Poucas coisas são tão poderosas quanto o humor. Da mesma forma, imenso o seu poder de gerar polêmica no exato instante em que se realiza, uma vez que nas narrativas engraçadas os personagens sempre mexem com as emoções das pessoas.

Diante disso, se é verdade que neutralidade não existe (tese defendida por algumas correntes de pensamento), no humor é onde ela jamais poderia existir.

Para se fazer humor é necessário ter habilidade para vê-lo na interação humana, principalmente a partir dos elementos que nos geram conflitos morais, emocionais etc.

Quem tem elevada expectativa sobre si ou se leva muito a sério não terá a capacidade de captar a graça de ser quem se é.

A verdade é que boa parte do humor se produz a partir da vulnerabilidade intrínseca do ser humano, que está sujeito às situações mais inusitadas.

O valor pela liberdade de expressão deve carregar a defesa de que possamos rir livremente: seja dos poderosos, seja das peripécias humanas. Sociedades que não riem são sociedades oprimidas.

Em todos os carnavais reiniciam-se as discussões sobre o que se pode e o que não se pode fantasiar-se e dar risadas.

Os pretensiosos saem da toca e pregam seus artificiais códigos morais “politicamente corretos”.

A patrulha da linguagem e do humor é tão contemporânea quanto autoritária. Ainda que seja verdade que há o humor de bom e o de mau gosto – o que pode ser aferido a depender do observador – também é verdade que quem se autoriza a “patrulhar” o riso alheio torna-se, na verdade, um “coronel das boas intenções”. Este expediente pode – e tem tudo para acontecer – sair pela culatra.

Quem for coagido a não se expressar como bem entende terá razão em reivindicar a retomada do valor que dá sentido a toda a expressão carnavalesca, a espontaneidade.

Sejamos livres – e irreverentes – para rirmos do que nos der na telha e para repudiarmos aquilo que fere nossos valores, porém longe da censura e das posturas autoritárias. Por um carnaval plural, alegre e bem brasileiro!

Lucas Fuhr é sociólogo e advogado

Facebook do autor | E-mail: lucasdasilvafuhr@gmail.com

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