Política: Quando a gente vê, quase sempre é tarde…

Há o joio e há o trigo. É preciso separar o que tem valor nutritivo do que é só gramínea.

Como acredito que Deus não faz nada por acaso, penso que o joio não cresce junto ao trigo por acaso. Acontece em todos os ambientes, até mesmo no território dessa nobre arte superior chamada Política, onde em muitos momentos a impressão é de não poder distinguir quem é quem.

É preciso fazer um esforço para separar os ramos de valor nobre dos demais.

Estou certo de que há trigo de muito boa qualidade, basta procurar bem. Não podemos desanimar.

Com tanta coisa acontecendo, o País só está um tanto confuso.

Os ramos só estão um pouco mais embaraçados por causa dos fortes ventos.

A mistura dos galhinhos não tem um lado só ruim, de ser um desafio aos olhos de quem colhe e teme, por má divisão, perder uma oportunidade.

O lado bom é que a mistura dos ramos pode ser a “salvação dos trigos de boa aparência”, mas contaminados na raiz pelas rastejantes propriedades das gramíneas, resistentes até mesmo aos melhores pesticidas.

Em safras tão selvagens como as que temos tido, o trigo ruim de íntegra aparência, e aspirações utilitárias, pode passar despercebido na colheita. Com chances até mesmo de ser adquirido nas prateleiras pelo iludido consumidor final.

O joio, esse intrometido, distrai a atenção do coletor, ao menos num primeiro momento. Já que a primeira preocupação do coletor é por de lado o que não é trigo.

O joio é, no fundo, um amigo do trigo ruim.

Se o trigo ruim não tivesse tanto joio em volta para distrair o coletor, ele provavelmente jamais ingressaria um dia nas mais ricas cozinhas industriais. Nunca na sua vida chegaria ao ponto de ser manuseado pelas mãos dos grandes chefs, o grande momento de todo ramo, sobretudo contaminado.

O destino de todo trigo que se preze é chegar a ser o mais lindo “pão”, admirado por suas qualidades, passando, obviamente, pela etapa de se fazer massa. Uma etapazinha em que sempre se suja um pouco as mãos, mas que o fim das contas faz valer o incômodo.

Entre todas as formas finais, a de “Pão Doce” talvez seja a superior.

Aquela camada de pequeninos cristais de açúcar se derramando por toda a extensão de sua boa figura.

Nesse estágio, todos os ingredientes combinados conspirarão a favor do trigo ruim com ambições utilitárias, ou seja, servis.

Quando sentirmos o amargo na garganta, será tarde.

Ele já estará prestes a alcançar seu destino.

O mesmo de tudo que digerimos, mais ou menos convencidos pela embalagem.

© Rubens Spanier Amador é jornalista.

Facebook do autor | E-mail: rubens.amador@yahoo.com.br

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