O lado bom da vida

Graças a Deus, sou capaz de ver o “lado bom da vida”.

Sempre me encanta quando procuro ver, ao lado bom. É ótimo quando rola isso daí, tá ok?, com capitão ou sem capitão.

Já notei que a maioria das pessoas tem a propensão de concentrar as atenções no “lado bom das coisas”.

É por aí mesmo a saída.

Melhor coisa porque, ao ver o lado bom, tu percebe com agudeza dos sentidos de que lado tu estás na vida. Ou seja, do teu próprio lado, que pode não ser tão bom quando tu gostaria, mas, se tu tiveres os olhos concentrados no lado bom, vai ser mais feliz, pode acreditar.

As pessoas com quem me dou melhor não são exatamente alegres; a alegria delas é exigente.

Como existem as afinidades, cedo ou tarde na vida todo mundo acaba encontrando a sua turma entre os tantos guetos mudos que se formam por aí, conforme, também, as necessidades.

As pessoas que mais admiro buscam uma percepção mais ou menos equilibrada das coisas, um porção segura de bom senso, que em geral se revela um gosto bom. Exigentes… Como se não aceitassem uma felicidade de segunda linha.

Minha impressão é que, para elas, acessar a primeira linha da felicidade exige obrigatoriamente ultrapassar alguns obstáculos, como, por exemplo, a Ironia.

Aquela balzaquiana com o estranho hábito de afirmar quando quer negar e de negar quando quer o oposto, jamais convencida 100% de nada.

A Ironia maior é que o “lado bom das coisas” confirma a existência do outro lado, mau.

Por exemplo, o Laranjal…

De manhã, sob o Sol, aquela água prateada, não preciso nem falar mais.

É um lugar deslumbrante, abençoado por esquecido, um lugar caro na memória.

Aí então tu te lembra do que se esconde naquela água testada toda semana pelos laboratórios, que cobram pelo serviço para nos dizer os pontos próprios e impróprios para o banho.

Como os pontos variam muito, não é improvável que tu mergulhe um dia nos impróprios, sem te dar conta.

Se acontecer, sairás ‘condenado’ a ficar procurando o lado bom da vida, em vez de apenas aceitar as coisas como elas são.

Não é tão ruim assim.

E, ao dizer isso, não estou sendo irônico, viu!

© Rubens Spanier Amador é jornalista.

Facebook do autor | E-mail: rubens.amador@yahoo.com.br

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