Prefeitura relembra conquistas para mulheres

Do site da prefeitura – Na Semana da Mulher, Pelotas comemora duas importantes conquistas sociais: dois anos da Coordenadoria da Mulher, responsável por articular e propor políticas públicas para as mulheres, e cinco anos do Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência que, como o nome diz, atende o público feminino, vítima de agressões física, psicológica, sexual, moral e patrimonial.

Trata-se de dois espaços públicos importantes, que funcionam no mesmo local. A comemoração das datas será no próximo dia 15, na sede: rua Barão de Itamaracá, 690, Cruzeiro.

A criação de um Centro de Referência era uma antiga demanda do movimento de mulheres do Município, que se tornou realidade em 2014. Lá é feito o acolhimento e são realizados os atendimentos psicológico e social, além da orientação e do encaminhamento jurídico da mulher violada, ameaçada, coagida ou constrangida de alguma forma.

O atendimento, em determinados momentos individuais – e outros em grupos –, é voltado a mulheres com idades entre 18 e 60 anos. Em cinco anos de funcionamento, 1.045 mulheres foram atendidas. A cada mês, 20 a 25 novos casos são recebidos. A maior parte dos encaminhamentos é feita pela Delegacia da Mulher. Mas muitas também são recebidas nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras), no Juizado da Violência Doméstica, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e na Defensoria Pública, além da procura direta de mulheres e movimentos sociais.

A responsável pela Coordenadoria e pelo Centro da Secretaria de Assistência Social (SAS), Myriam Viegas, explica que nem todas as violências são facilmente detectadas. Algumas vezes, as próprias vítimas têm dificuldade de perceber, ou sentem medo e vergonha e, assim, não conseguem denunciar. “A mulher que se sentir ameaçada, violada em seus direitos pode procurar o Centro.

Ela será orientada e terá apoio para romper as situações de violência”, diz Myryam.

O encaminhamento será dado pela equipe, formada por psicólogos e assistente social.

N., 48 anos, foi casada por 27 anos. Com dois filhos e uma boa situação econômica, foi difícil enfrentar o agressor. Embora eles trabalhassem juntos, o marido queria ter o poder sobre a relação. Por não poder contar com o apoio da família a longo prazo, permaneceu no relacionamento. Em 2016, quando o filho foi agredido, ela criou a coragem necessária para denunciá-lo, e foi encaminhada para o Centro de Referência.

“Foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Aqui eu tive apoio psicológico, amigas que passaram pela mesma coisa que eu. Uma ouve o problema da outra e a gente vê que não está sozinha. Ele me fazia sentir culpada, dizia que eu tinha provocado as agressões. E não é assim”, conta.

Ela avalia o quanto as pessoas que não vivem a situação são equivocadas. “Ninguém gosta de apanhar. Então a gente tem que lutar. Mesmo que você dependa financeiramente dele, ele lhe deve respeito, tem que te amar e te respeitar sempre. Do mesmo jeito que a gente tem que amar e respeitar ele sempre”.

A usuária do Centro diz que a mãe precisa contar com os filhos. “Os teus filhos vão te apoiar porque, mesmo que fiquem encolhidos em um canto, com medo; no momento em que eles veem que a mãe ‘tá’ se emancipando, se tornando uma mulher corajosa, que quer ser feliz, vão ajudar a mãe”, aconselha, com base no que aconteceu com ela.

O Centro de Referência, há cinco anos, também é responsável por articular a Rede de Proteção da Mulher Vítima de Violência. Desde a sua instituição, promove o Seminário Mulheres e Homens na Perspectiva da Lei Maria da Penha. Outra atividade, com grande relevância à comunidade, é a efetivação de palestras em escolas, unidades de Saúde e outras entidades e municípios.

Saiba mais sobre os tipos de violência

Nem sempre a violência contra a mulher deixa marcas visíveis. Tu vives ou conheces alguém que vive alguma das violências previstas pela Lei Maria da Penha? Nenhum tipo de relacionamento dá a um dos envolvidos o direito de violar os direitos do outro. Nem mesmo o casamento prevê a prática do sexo sem consentimento, como um direito adquirido.

Conheça alguns exemplos e proteja-se:

Violência física – empurrar, chutar, amarrar, bater, violentar;

Violência sexual – pressionar a fazer sexo, exigir práticas que a parceira não gosta, negar o direito ao uso de qualquer contraceptivo;

Violência moral – caluniar, injuriar, difamar;

Violência patrimonial – reter o dinheiro da companheira, distribuir ou ocultar seus bens e objetos, não permitir que ela trabalhe; e

Violência psicológica – humilhar, insultar, isolar, perseguir, ameaçar.

A equipe do Centro de Referência pode ser contatada diretamente na sede ou pelos telefones (53) 3279-4240 ou 3279-4713, de segunda a sexta-feira das 8h às 17h.

Obrigado por participar.

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