“Bem-vindos à Era Binária”

2019 começa agora, depois do carnaval, e vai ser um ano agitado.

Quem procura emprego torce para que seja uma agitação boa, de reaquecimento da economia. Quem já trabalha teme ser afetado pela reforma da Previdência.

As redes sociais continuam “nervosas”, como se as eleições de 2018 não tivessem acabado. Quem perdeu a eleição fustiga o governo. E o governo se dedica a governar fustigando a oposição, até pelo twitter.

Era tradicional que os governantes cumprissem um papel “institucional”, dos discursos protocolares de “governar para todos”, de caráter “agregador”, tentando cativar mesmo quem não votou no governo eleito. Será um sinal dos tempos, o abandono da fala conciliadora dos eleitos?

Dizem os roteiristas de Hollywood que o que sustenta a audiência dos filmes é o conflito.

Dizem os roteiristas de Hollywood que o que sustenta a audiência dos filmes é o conflito.

Os marqueteiros vivem da polêmica e a política é cada vez mais midiática, à base de “memes”, de conteúdos mais rasos. Será que os políticos, agora, além de disputar a eleição com discurso agressivo, tem de governar assim também?

O século XXI tem como características principais a massificação das relações humanas e da tecnologia. O mundo digital é um “modelo binário”, sim ou não, sem graduações – quem captava as sutilezas era o modelo analógico.

Será que esse modelo binário, sem graduações, afetou nosso modo de ver o mundo? Tal como a tecnologia, precisamos de simplificações (sim ou não, sem intermediários), para produzirmos resultados?

Querem nos fazer crer que é uma luta do bem contra o mal, uns dizem que o bem está no governo e que para isso tem de atacar a oposição, outros que o bem está na oposição e por isso tem de atacar o governo. Onde fica o analisar caso a caso, se temos de ser a favor de tudo, ou contra tudo?

Ainda não sabemos se 2019 será um bom ano para a economia, do que tanto precisamos, com milhões de desempregados. Mas, no Brasil e no mundo, estamos definitivamente na Era Binária, onde os conflitos não terminam com as eleições.

Montserrat Martins é médico psiquiatra, autor de Em busca da Alma do Brasil

Facebook do autor | E-mail: montserrat@tjrs.jus.br

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